domingo, 12 de novembro de 2017

Nora Ephron, o orgasmo mais famoso do cinema e os três filmes que resgataram a comédia romântica


Infectou a memória colectiva dos anos 1990 com as suas mulheres opinativas e as suas frases mordazes. A autora de Um Amor Inevitável e Sintonia de Amor , que dizia "os escritores são canibais", morreu há cinco anos.

JOANA AMARAL CARDOSO
12 de Novembro de 2017

A maior parte dos seus filmes não é grande coisa. Ou, como simplificou a revista Time no seu obituário, “Nora Ephron não era Ingmar Bergman”. Mas Nora Ephron, que morreu há cinco anos, é autora de outros três filmes que um livro defende agora terem salvo a comédia romântica, esse género que até é Bergmaniano e que é tanto desconsiderado quanto acarinhado pelo público e pela indústria. Um Amor Inevitável, Sintonia de Amor e Você Tem uma Mensagem são aqueles filmes que parecem estar sempre a passar, fragmentos que vivem na televisão ou na memória colectiva. “Os escritores são canibais”, disse, e quando encheu uma parte do mundo de orgasmos fingidos, mulheres opinativas e frases irresistíveis, também libertou nele parte da história da sua vida.

“Nora trabalhava porque era escritora, e escrever não é só uma coisa que uma pessoa faz, mas uma coisa que uma pessoa é”, defende o seu amigo Richard Cohen, colunista do Washington Post e autor do livro She Made me Laugh(2016), sobre Ephron. E ela escreveu, muito. Mesmo nos seis anos da sua doença, a leucemia mielóide aguda que a matou aos 71 anos em Junho de 2012, assinou duas peças, um filme (Julie e Julia, com Meryl Streep e Amy Adams), dois livros e alimentou um blogue no Huffington Post. Foi onde escreveu sobre o seu coração Democrata partido por Bill Clinton mesmo antes do escândalo Monica Lewinsky, sobre as suas receitas preferidas ou sobre a identidade da fonte do escândalo Watergate, que guardou durante décadas, desde o casamento com Carl Bernstein, o jornalista que com Bob Woodward reportou o caso no Washington Post.


A sua vida, a rica fonte de experiências que dos anos 1960 em diante alimentou ensaios, histórias confessionais ou personagens em comédias românticas, está amplamente documentada na primeira pessoa. Não é o caso da sua morte. Manteve a sua doença em segredo mesmo dos amigos mais próximos até ao fim, mas o seu filho mais velho, o jornalista Jacob Bernstein, relataria meses mais tarde na revista do New York Times as suas últimas horas. O seu “último acto”, como intitulou o texto, de uma vida que verteria em filme dois anos mais tarde em Everything is Copy (2016), o documentário feito de entrevistas, filmes caseiros e o retrato do legado de Nora Ephron, dona de um humor mordaz, co-protagonista de três casamentos e autora de três filmes com finais felizes com Meg Ryan.

“Também há todo um livro e um filme dedicado ao seu divórcio do meu pai. (Mas esqueçam isso)”, parece sorrir Jacob Bernstein nas páginas da revista. A infidelidade de Bernstein, o seu segundo marido, ditou uma separação após a gravidez do seu segundo filho, o músico Max Bernstein. E os seis meses de choro tornaram-se no seu primeiro livro, o ácido e humorístico Heartburn (1983), que seria adaptado por Mike Nichols e protagonizado por Meryl Streep e Jack Nicholson em 1986 no cinema.

Comédia na era do feminismo

Mas Nora Ephron, para a maioria, é conhecida como alguém que reflectiu sobre o amor e pôs isso em filmes marcados pelo papel de outros filmes, da fantasia de Hollywood, no romance. Foi “uma revolucionária tradicional”, defendia Andrew O'Hehir na revista online Salon após a morte de Ephron, que “trouxe a comédia romântica para a era do feminismo sem desafiar as suas presunções fundamentais sobre homens e mulheres e o que eles querem”. O seu material era o amor heterossexual e branco, é certo, e o amor nas grandes cidades americanas que vão mudando – no fundo, histórias de Meg Ryan com Tom Hanks ou Billy Crystal em Nova Iorque.

Alimentou essa espécie peculiar que são os filmes facilmente citáveis, cunhados por uma argumentista que só depois se tornou realizadora e que, num revés do destino, não foi a autora da frase que intitula o livro que a homenageia aos cinco anos da sua morte – I'll Have What She's Having, de Erin Carlson. “Quero o mesmo que ela”, traduzamos assim livremente a fala mais conhecida, acompanhada pelos caracóis loiros de Ryan enquanto mostra como se finge um orgasmo, de Um Amor Inevitável.

Meg Ryan e Billy Crystal em "Um Amor Inevitável" - talvez o orgasmo mais conhecido do cinema popular

“Quando Um Amor Inevitável surgiu em 1989, numa altura em que Woody Allen tinha passado para uma fase mais séria, tendo criado uma sede geral por comédias românticas inteligentes e metropolitanas que agora já não queria satisfazer, Nora Ephron avançou para satisfazer essa procura”, disse o crítico de cinema do Guardian Peter Bradshaw, no seu epitáfio da argumentista. E, com esse filme, “quase inventou a comédia romântica sentimental e screwball – uma versão light de Woody Allen, mas com um sabor penetrante próprio”. Os três filmes sobre os quais o livro se debruça, e os que a história mais associa a Ephron, “tornaram-se os filmes de relação e encontros-chave dos anos 1990”, acrescentava Bradshaw, embora admitindo que os achou “açucarados”.

Erin Carlson, jornalista, publicou então este Verão I'll Have What She's Having: How Nora Ephron's Three Iconic Films Saved the Romantic Comedy. O livro maravilha-se com a comédia realizada por Rob Reiner e escrita por Ephron, com a solenidade do tributo a O Grande Amor da Minha Vida (1957) com dois potenciais amantes separados por um continente e pela rádio de Sintonia do Amor e com as vénias a Ernst Lubitsch de Você Tem uma Mensagem. E conta as habituais histórias de bastidores (quem poderia ter sido o protagonista, que romances borbulhavam em fundo), recupera o que era o estrelato dos anos 1980 e 90 e pinta uma aguarela de quem foi Nora Ephron e do que os seus três filmes representaram para o meio.

Mas é na revista Interview, numa conversa com o actor Edward Norton em 2000, que a própria Ephron talvez resuma melhor o que considera ter sido o seu grande contributo. “O que Um Amor Inevitável desencadeou de facto foi a ideia da comédia romântica moderna, porque ninguém chamava comédias românticas a Casamento Escandaloso (1940), O Grande Escândalo ou Duas Feras (1938). Chamavam-lhe [comédias] screwball. Só começámos a chamar-lhes comédias românticas depois de Um Amor Inevitável. Mas a comédia romântica pós-Annie Hall, pós-Um Amor Inevitável tem sido uma coisa diferente, no sentido em que o objectivo do filme tem sido o romance, ou a análise desse romance, e a análise dos obstáculos ao romance.”


Na Casa Branca de Kennedy

Nora Ephron foi nomeada para três Óscares de Argumento: em 1984 por Silkwood - Reacção em Cadeia, de Mike Nichols, por Um Amor Inevitável e depois por Sintonia do Amor, que transformou de drama em comédia. Uma de quatro filhas de um casal de argumentistas, Phoebe e Henry Ephron (Parada de Estrelas, 1955, com Marilyn Monroe e Ethel Merman), Nora e suas irmãs tornaram-se escritoras. No Verão de 1961, Nora foi estagiária na Casa Branca de Kennedy – dizia que era provavelmente a única estagiária a quem John F. Kennedy não se tinha atirado. Estudou em Wellesley, trabalhou na sala do correio da revista Newsweek e começou a trabalhar como jornalista para o New York Post, para a New Yorker e para a revista masculina Esquire.

Destacou-se, na sua opinião e na dos seus leitores, quando em 1972 escreveu o ensaio A Few Words About Breasts na Esquire. “Se tivesse tido [mamas], teria sido uma pessoa completamente diferente”, garantia, alta, magra, não particularmente satisfeita com o seu aspecto. Em 2006, escreveria I Feel Bad About my Neck, sobre o envelhecimento – “As nossas caras são mentiras e os nossos pescoços são a verdade. Tem de se cortar uma sequóia para ver quão velha é, mas não o faríamos se tivesse pescoço”.


Rob Reiner apreciava o facto de Ephron ser uma “grande escritora de observação com a maravilhosa capacidade de anotar o comportamento humano”. O actor de Uma Família às Direitas tornado realizador de This is Spinal Tap e Conta Comigo queria fazer um filme sobre o amor e chamou-a. “O destino de Harry e Sally seria um eco do de Alvy Singer e Annie Hall – os últimos frames, amargos e naturalistas – com pinceladas de Ingmar Bergman”, relata Erin Carlson no livro. Harry é um protótipo de Rob Reiner, Sally é a jornalista assertiva que gosta dos seus molhos à parte e tem cuecas com os dias da semana, mas são só seis – não há domingo “por causa de Deus”. Tudo como Ephron. “De certa maneira, esperamos que seja a autobiografia de toda a gente”, disse Ephron.

Michael Keaton ou Tom Hanks recusaram ser Harry e o melhor amigo de Reiner, Billy Crystal, foi convidado para dar ao mundo a sua melhor entoação das palavras “pecan pie”. Já Sally podia ter sido Helen Hunt, Molly Ringwald ou Debra Winger, mas Meg Ryan lá desistiu do seu papel em Magnólias de Aço, deixando-o vago para uma jovem estrela em ascensão chamada Julia Roberts. E foi ela que deu a ideia de que Harry tinha de ser desconcertado com a informação de que as mulheres fingem orgasmos; Crystal cunhou a reacção da cliente que tudo observaria no restaurante, dizendo “I’ll have what she’s having”; Reiner ofereceu a sua mãe, Estelle, para a proferir no ecrã e completar a cena mais conhecida do filme e talvez o orgasmo mais conhecido do cinema popular.


Ainda casada com Carl Bernstein, o jornalista que com Bob Woodward reportou o escândalo Watergate no "Washington Post". A infidelidade de Bernstein, o seu segundo marido, ditou uma separação após a gravidez do seu segundo filho

“Não há dúvidas de que toda a gente que se queixa de quão pouco Hollywood se preocupa com as personagens femininas está a dizer a verdade”, disse Ephron à autora Lizzie Francke em Script Girls (1994). “Embora tenha tido uma boa experiência com Rob em Um Amor Inevitável, foi um grande choque para ele que o filme fosse tanto de Sally quanto de Harry. Harry tinha mais piadas mas era uma personagem menos complexa. Eu sabia-o quando o escrevi mas ele não e por isso quando Meg começou a trabalhar [no filme] eles ficaram todos espantados pelo facto de ela roubar cenas. Mas aquelas cenas estavam todas no guião, prontas a ser roubadas pela actriz certa.”

O filme estreou-se um mês depois do primeiro Batman de Tim Burton e dois depois de Indiana Jones e a Última Cruzada. Por causa da cena do orgasmo o filme teve classificação R, que limitava o acesso dos menores de 17 anos à companhia de pais ou adultos. Os heróis de Michael Keaton e Harrison Ford, com os seus rostos a derreter e homicídios a tiro, eram para maiores de 13. A cena do orgasmo levaria ainda a outra classificação. “Tão marota”, disse a princesa Diana a Billy Cristal.


Boy meets girl

Naqueles anos 1980, “a comédia romântica era um sítio estranho, cheio de filmes sobre adolescentes suburbanos doentes de amor (o grosso da obra de John Hughes na década, Não Digas Nada de Cameron Crowe), o conto de fadas A Princesa Prometida e dramas dominados por homens”, escreveu Jason Diamond, autor de Searching for John Hughes, no Los Angeles Times. Filmes sobre “se o rapaz fica com a rapariga”, exemplifica a propósito do livro de Carlson. “Havia alguns marginais maravilhosos (vêm à cabeça clássicos como O Feitiço da Lua ou Uma Mulher de Sucesso), mas as coisas estavam a ficar demasiado convencionais”, lamenta. Um Amor Inevitável veio mudar isso, acredita, embora para a crítica do New York Times fosse “a versão sitcom de um filme de Woody Allen”.

Mas, lembra Erin Carlson, nesse ano Ephron recebeu o prémio de argumento nos BAFTA em vez de Steven Soderbergh por Sexo, Mentiras e Vídeo, ou de Tom Schulman por O Clube dos Poetas Mortos, e foi nomeada para o Óscar. Um Amor Inevitável “deu-lhe uma entrada de honra na história do cinema moderno como uma variação literata pouco convencional das convenções da comédia romântica”, recorda hoje a crítica Lisa Schwarzbaum no New York Times. Na altura, Ephron já estava casada com o seu marido Nicholas Pileggi, autor de Tudo Bons Rapazes (1990) e Casino (1995), com quem ficaria até ao fim da sua vida. Continuava a escrever e começava a querer realizar os seus próprios filmes.

"Sintonia de Amor" ou as dificuldades de encontrar uma alma-gémea à distância

Alguns filmes que poderiam ter sido seus passaram-lhe ao lado, como foi o caso de Os Homens do Presidente, em cujo guião trabalhou com Bernstein nos anos 1970 para o ver preterido, ou de Proposta Indecente (1993), para o qual Adrian Lyne acabaria por preferir um argumentista homem. Mais tarde iria realizar filmes que não deixaram saudade – Michael, ou John Travolta como anjo, Casei com uma Feiticeira, o remake da série televisiva, ou Tarados de Todo, uma aventura natalícia com Steve Martin. Foi do “não” de Lyne que nasceu a possibilidade de rever o guião de Sleepless in Seattle –Sintonia de Amor (1993), baseado numa história de Jeff Arch. “Sei exatamente como fazer isto”, disse ao telefone ao produtor Gary Marshall em Janeiro de 1992. “Vou-te escrever um filme para Meg Ryan e Tom Hanks”. Nova roleta de actores, porque Ryan estava no termo da primeira gravidez, que envolveu Kim Basinger, Madonna e Sharon Stone. Julia Roberts, que já era uma megaestrela após Pretty Woman (1990), disse que não ao papel de Annie, a sonhadora que ouve na rádio o apelo de um miúdo em busca do amor para o pai, mas defendeu que Ephron podia ser a realizadora.

Na altura, Sharon Stone já tinha descruzado as pernas em Instinto Fatal e a comunicação globalizada começava a acelerar. O filme estrear-se-ia no primeiro ano da presidência Clinton. “Vivemos todos num lugar em que ouvimos as mesmas piadas em menos de 24 horas e vemos os mesmos programas de televisão e os mesmos filmes e viramo-nos contra o Presidente no mesmo preciso momento, ou apaixonamo-nos pela primeira-dama”, dizia Ephron, citada em I’ll Have What She’s Having. O filme era também sintomático de outras mudanças. Era um filme de palavras, sem sexo.


Uma republicana que nunca teve um orgasmo

A Annie que Meg Ryan lá aceitaria interpretar "espelhava tempos sexualmente ansiosos”, escreve Carlson. O conservador Rush Limbaugh tinha acabado de baptizar como “feminazi” as feministas e suas reivindicações e, “entretanto, uma queda constante das taxas de divórcio acompanhou as taxas de casamento também em declínio. O trauma do VIH/sida”, diz Carlson, “aumentou a consciência sobre as práticas de sexo seguro”. Nesse contexto, um filme sobre as dificuldades de encontrar uma alma-gémea à distância, em que um chorava ao ver o clássico O Grande Amor da Minha Vida e o outro vivia preso numa casa-barco de viuvez, foi um sucesso que levaria mesmo um professor de Cinema na Universidade de Londres, Peter William Evans, a considerar que Meg Ryan era a “alternativa-sexo seguro” a outras personagens mais ousadas das comédias românticas da época. Afinal, na descrição de Ephron, Annie era “uma republicana que nunca teve um orgasmo”.

Sintonia de Amor foi um sucesso de bilheteira e “liderou a revitalização de Nova Iorque como a capital do amor da América na imaginação popular”, garante Erin Carlson no seu livro. Foi difícil ter autorização para filmar o final no Empire State Building, mas as receitas do monumento aumentaram logo após a estreia e nunca mais abrandaram; o filme também levou à venda de dois milhões de cassetes VHS de O Grande Amor da Minha Vida (1957). Ephron tinha assinado mais um final feliz em plenos anos 1990, que contrastava com o mais duro realismo dos anos anteriores, de Annie Hall a Uma Mulher Só, passando por Edição Especial.

Nicholas Pileggi, autor de "Tudo Bons Rapazes" e "Casino", o terceiro marido e com quem Nora ficaria até ao fim da sua vida REUTERS

A comédia romântica, e a vida de Ephron, seguiam um novo rumo. Ela, feliz no amor e com oportunidades de trabalho renovadas, a comédia romântica com um fôlego renovado. Numa entrevista com a Rolling Stone, Ephron foi confrontada com a possibilidade de ser mais lembrada pelas suas comédias românticas do que pela escrita incisiva, que continuava a publicar em vários suportes. “Não acho que haja mesmo tal risco.” O seu obituário no New York Times, tantos anos depois, parecia querer concordar com ela. “Ensaísta e humorista do molde de Dorothy Parker (só que mais esperta e mais engraçada, dizem alguns)”, lia-se à cabeça, para só depois se referir que era também argumentista e realizadora. Mas o seu contributo pop era sobretudo esse.

Um ano antes de Sintonia de Amor, Cameron Crowe tinha realizado Vida de Solteiro (1992), comédia romântica passada na Seattle do grunge e do Starbucks, e a sitcom Doido por Ti (1992) chegara à televisão; mas foi depois de Sintonia de Amor que Quatro Casamentos e um Funeral, Jerry Macguire e A Paixão de Shakespeare se tornaram em três comédias românticas nomeadas para Óscar de Melhor Filme – e tiveram resultados de bilheteira a condizer. Em contraste, nos últimos anos, várias vezes a indústria olhou para os números e a imprensa fez as contas para constatar que, desde meados dos anos 2000, as comédias românticas desapareceram da lista de filmes mais vistos e das escolhas dos actores mais cobiçados. “A verdade é que o género da comédia romântica já não parece ter tantos mestres quanto teve em tempos”, disse em Agosto ao Business Insider o analista de bilheteira Jeff Bock. “As Nora Ephrons do mundo desapareceram e o amor e o riso parece ter ido parar às sitcoms e ao streaming.”


Mais sexo, drogas e risco


No final dos anos 1990, a carreira de Meg Ryan não estava tão bem quanto a deTom Hanks, que fora ganhar um Óscar por Filadélfia (1993) e outro por Forrest Gump (1994). Hanks tinha uma relação próxima com a realizadora, que começara a ajudá-lo com a ideia de escrever textos próprios – o actor editou este ano um livro de contos, Uncommon Type. Recebeu um telefonema da realizadora, que tinha sido contactada por uma produtora que queria fazer um remake de A Loja da Esquina (1940), de Ernst Lubitsch. Ephron trabalharia no guião com a irmã Delia.

“Ninguém quer fazer uma sequela”, recorda Hanks, mas a ideia de Nora Ephron era exactamente mais uma comédia romântica com Ryan. O pano de fundo do amor entre duas pessoas que não se conhecem desta vez era a troca anónima de mensagens via internet (estávamos no dealbar do uso comercial e caseiro da Internet), mas também a gentrificação comercial e imobiliária em Nova Iorque, a pequena livraria independente asfixiada pelas cadeias de megalojas. Para Quentin Tarantino, cita Carlson, “é um dos poucos filmes de Hollywood que lidam com esse assunto de forma séria”.

No que hoje parecem interfaces arcaicos da AOL (que participou no desenvolvimento do filme e até convenceu uma utilizadora real a não usar o nome que a personagem de Meg Ryan iria adoptar online, Shopgirl), desenrolava-se a relação entre vilão adorável e heroína maleável. Nos bastidores trabalhava um assistente de produção, Kevin Feige, hoje o presidente da Marvel Studios e dos maiores fazedores de dinheiro na indústria. Foi ele que ensinou Ryan a usar o e-mail, anos depois de ter faltado às aulas para ver Um Amor Inevitável. Na sala de montagem ficou o papel do Monty Python Michael Palin e Dave Chapelle, um dos mais importantes comediantes dos últimos 30 anos, é um inesperado nova-iorquino de gola alta nas mãos de Ephron. Chapelle reescreveu algumas das suas falas, que incluíam expressões como “raison d’être”, e substituiu-as com referências, por exemplo, aos “bairros sociais”.

"Você Tem uma Mensagem": Meg Ryan e Tom Hanks no dealbar do uso comercial e caseiro da Internet e da gentrificação comercial e imobiliária em Nova Iorque

Ryan e Hanks reunidos, o espectro de Jimmy Stewart e Margaret Sullavan do filme de Lubitsch a ungi-los, mas Ephron teria de lidar com, por um lado, as críticas ao seu final feliz, “chocantemente conservador”, como escreveu na altura o Guardian, visto que a heroína ficou com o vilão que a levou à falência, e, por outro, com novos tempos. Doidos por Mary, que encheu o cabelo de Cameron Diaz de esperma, foi a comédia daquele Natal e o terceiro filme mais lucrativo do ano. Você Tem uma Mensagem foi o 14.º. “Nora Ephron, eis uma pista. A comédia romântica como a conhecemos sofreu uma mudança radical”, avisava o Los Angeles Times. Os irmãos Farrelly tinham, com Doidos por Mary, anunciado a chegada de uma nova vaga do género, com mais sexo, drogas e risco, aquela que pertenceria anos depois a Judd Apatow ou Paul Feig. Para a sua irmã e co-autora do guião, Delia Ephron, o país abateu-se sobre Nora tal como tinha “passado a gostar um pouco mais de Hillary depois de Bill a ter traído durante a presidência”.

“A minha religião é ‘Get Over It’”, escreveu Nora Ephron na antologia I Remember Nothing (2010) – esquecer, ultrapassar, seguir em frente. O filme continua a ser parte do papel de parede de feriados e repetições televisivas e parte da discussão sempiterna sobre a saúde da comédia romântica. Um género cujo tema "não é só o companheirismo e escolhas de vida, é identidade”, como defende o crítico da New Yorker Richard Brody, e por isso os espectadores guardam-nas perto do coração e os críticos, e a indústria, perguntam-se rotineiramente sobre o seu estado. “Hoje, graças a Amor de Improviso [de Kumail Najuani, em exibição nos cinemas portugueses] e séries de televisão como Mindy Project, a comédia romântica está a viver um momento alto. Mas o caso que Erin Carlson defende é sólido: Nora Ephron reinventou e salvou o género com os três filmes em análise, escreveu Jason Diamond no seu comentário a I’ll Have What She’s Having no LA Times. Actualmente, o género tem rostos, cores, linguagens e temas diferentes, mas Insecure, Crazy Ex-Girlfriend, Master of None, Catastrophe, Jess e os Rapazes ou Looking na TV, e o cinema de Descarrilada ou Um Azar do Caraças mantêm-na viva.


Sanduíches de pepino para o velório


Erin Carlson considera que Ephron é, mesmo com mais filmes falhados do que bem sucedidos, “um ícone” como “os igualmente complexos pioneiros das comédias românticas – Woody Allen, Preston Sturges e Ernst Lubitsch”, tentando elevá-la à custa da comparação com nomes respeitados. Cita também a argumentista Diablo Cody, que postula que o trabalho de Ephron “é uma eterna resposta às perguntas ‘as mulheres têm piada? As mulheres sabem realizar?’. Tudo o que ela fez foi incrivelmente elegante, hilariante e caloroso – basicamente tudo o que qualquer pessoa quer quando está a escrever uma comédia romântica, mas acho que ninguém nunca vai fazê-lo tão bem quanto ela”.

Ephron odiava painéis de debate sobre “mulheres no cinema” ou “mulheres realizadoras” porque lhe parecia limitador. Adorou A Melhor Despedida de Solteira, de Feig, um dos 20 filmes mais rentáveis de 2011. Era um rosto de Nova Iorque, como Woody Allen ou Sarah Jessica Parker. Orquestrava com a mesma intensidade, dizem os filhos e amigos, o cenário de um filme, a roupa de uma personagem ou um jantar de que era anfitriã. A sua amizade de mais de 40 anos com Joan Didion começou com um convite típico de Ephron nos anos 1970: em festas, abordava pessoas que admirava e convidava-as para irem jantar a sua casa. O seu velório foi planeado por si, com local, lista de oradores e ementa detalhados – sanduíches de pepino de uma loja que apreciava, por exemplo.

“Acho que as pessoas pensam que sou muito mais inteligente do que eu sei que sou”, dizia. O documentário do seu filho sobre ela intitula-se Everything is Copy, frase da avó que significava que, naquela família de escribas, tudo era considerado material para uso futuro. Tal como Jacob Bernstein considera que o filme sobre a mãe era na verdade “sobre como a comédia vive no cruzamento entre a coragem e ser impiedoso”, Nora Ephron vivia entre filmes populares e escritos seguidos religiosamente pelos seus leitores. Mas, escreveu o autor e editor Robert Gottlieb na introdução à colectânea The Most of Nora Ephron, “a sua honestidade e capacidade de ser directa, e a sua presciência infalível, tornaram-na uma figura – alguém cuja influência e autoridade transcende os seus feitos individuais, por mais extraordinários que fossem”.

Este artigo encontra-se publicado no P2, caderno de domingo do PÚBLICO

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Steven Seagal e Jeffrey Tambor acusados de assédio sexual

O actor de filmes de acção é mais uma vez acusado, desta feita por Portia de Rossi, que, em Arrested Development, fazia de filha de Tambor, sobre quem agora também recaem acusações.

RODRIGO NOGUEIRA 9 de Novembro de 2017

Steven Seagal é mais uma vez acusado de assédio sexual

As acusações contra figuras de Hollywood no contexto pós-Weinstein continuam. Depois de Julianna Margulies, a estrela de The Good Wife, ter contado à rádio por satélite Sirius XM que Steven Seagal a tinha assediado sexualmente em audições para papéis em filmes, bem como outras acusações da também actriz Rae Dawn Chong e da repórter televisiva Lisa Guerrero, o actor de filmes de acção que foi grande no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 e hoje é cidadão russo, volta a ser acusado de assédio.

Desta vez, é Portia de Rossi, actriz de Ally MacBeal e Arrested Development, bem como a esposa da cómica e apresentadora Ellen Degeneres, que, no Twitter, escreveu sobre um processo de audição que culminou no escritório de Seagal. Rossi conta que Seagal lhe explicou o quão "importante" era terem "química fora do ecrã", e procedeu a abrir o fecho das calças de cabedal. A actriz fugiu de imediato, diz, e ligou à agente, que lhe disse, "imperturbável", que "não sabia se ele era o tipo dela".

Não foi o único acusado da semana. Van Barnes, uma actriz e produtora transgénero que apareceu em I Am Cait, o reality show de Caitlyn Jenner, escreveu num post privado de Facebook que Jeffrey Tambor, de quem tinha sido assistente, tinha agido de forma imprópria com ela. Tambor, que faz de pai da personagem de Portia de Rossi em Arrested Development, é o protagonista de Transparent, a série da Amazon sobre o outrora patriarca de uma família que se assume como mulher transgénero já depois da reforma. Tambor assume-se como aliado da comunidade transgénero e Transparent é uma série conhecida pela atenção às questões de género.

Terá sido durante a rodagem da série que o actor a assediou, o que levou a Amazon Studios, cujo cabecilha, Roy Price, se demitiu, em Outubro, por causa de acusações semelhantes, a lançar uma investigação sobre o caso. Ao site Deadline.com, Tambor disse, referindo-se a Barnes como sua "antiga assistente descontente", "rejeitar inflexível e veementemente todas e quaisquer implicações e alegações" de que alguma vez se tenha "envolvido em qualquer comportamento impróprio para com esta pessoa ou qualquer outra pessoa com quem tenha trabalhado".

Jill Soloway, que criou a série, disse num comunicado citado pelo mesmo site que "qualquer coisa que diminuísse o nível de respeito, segurança e inclusão que é tão fundamental para o nosso local de trabalho é completamente antitético aos nossos princípios"

Louis C.K. acusado de obrigar mulheres a ver e a ouvi-lo masturbar-se

O jornal The New York Times publicou um artigo com depoimentos de cinco mulheres que acusam um dos cómicos mais bem amados dos EUA de conduta sexual imprópria. Ainda antes deste ter saído, a estreia nova-iorquina de I Love You Daddy, o novo filme de C.K. como realizador, foi cancelada.

RODRIGO NOGUEIRA 9 de Novembro de 2017,

Louis C.K. foi acusado de abuso sexual 

A revista The Hollywood Reporter dava a notícia na quarta-feira à noite: a estreia nova-iorquina de I Love You Daddy, o novo filme do cómico Louis C.K., tinha sido cancelada. A razão? O jornal The New York Times preparava-se para publicar um artigo possivelmente comprometedor sobre Louis C. K., que viria confirmar alegações anónimas que existiam há vários anos na Internet sobre o realizador, um dos cómicos mais bem sucedidos e bem amados dos Estados Unidos. Também foi cancelada uma aparição de C.K. no The Late Show with Stephen Colbert.

Passadas poucas horas, o artigo saiu. Os rumores circulavam pelo menos desde 2012. O mais divulgado envolvia C.K. ter obrigado um duo de cómicas a verem-no masturbar-se após ter fechado a porta de um quarto de hotel. Com a publicação do texto, o que antes eram alegações anónimas ganharam finalmente caras e nomes. Entre elas, o duo Dana & Julia, que junta Dana Min Goodman e Julia Wolov, que ainda a 10 de Outubro escreviam na conta (agora privada) de Twitter: "Adorava que alguém perguntasse a Louis C.K. o que pensa sobre o escândalo de Harvey Weinstein", referindo-se ao produtor de Hollywood que, entre acusações de abusos sexuais, assédio e violação, se terá masturbado em 2007 para um vaso em frente de uma repórter televisiva.

O incidente com as duas terá acontecido em 2002, no festival de comédia de Aspen, no Colorado. As duas pensaram que se tratava de uma piada, já que era um cómico que admiravam, e, inicialmente, riram-se do sucedido. Quando ele ejacula para a própria barriga, as duas foram-se embora, aterrorizadas. Pouco depois, segundo o The New York Times, o artista ligou-lhes, a perguntar qual delas era a Dana e qual delas era a Julia. Tentaram falar sobre o sucedido, mas alegam que Dave Becky, manager do cómico, as pressionou a manterem-se caladas e tiveram medo de repercussões em termos de carreira. Ao The New York Times, Becky nega tê-las ameaçado.

As acusações não são novas, mas, num mundo pós-Weinstein, havia várias pessoas a perguntar-se quando é que alguém se chegaria à frente. Desta vez foram cinco mulheres. Abby Schachner diz que um dia ligou a C.K. em 2003, a convidá-lo para assistir a um dos seus espectáculos, e ouviu-o a masturbar-se do outro lado da linha.

A também cómica Rebecca Corry, que participou num episódio-piloto de televisão em que C.K. era actor convidado em 2005, rejeitou dar autorização a C.K. para se masturbar em frente dela, após este lhe ter pedido. Segunda ela, o cómico ficou vermelho e disse-lhe que tinha problemas. Uma outra mulher, que decidiu manter o anonimato, trabalhou em The Chris Rock Show, talk show da HBO em que C.K., colaborador de longa data de Rock, era argumentista (e pelo qual ganhou um Emmy), e disse ao The New York Times que o cómico lhe pediu várias vezes para ela assistir enquanto ele se masturbava.

Uma das pessoas a falar publicamente sobre estas alegações nos últimos meses foi Tig Notaro. A cómica lançou Live, uma gravação ao vivo de um set espontâneo de stand-up em que falava sobre os traumas que lhe aconteceram entre 2012 (morreu-lhe a mãe, a namorada acabou com ela, tinha uma doença infecciosa rara e depois descobriu um cancro na mama que a obrigou a fazer uma mastectomia), através do site oficial de C.K. Isso ajudou à existência de One Mississippi, a série cómica semi-autobiográfica da Amazon por ela protagonizada e co-criada pela própria e Diablo Cody. A produção executiva era do cómico.

Em entrevista ao site Daily Beast, em Agosto, a cómica dizia que C.K. não tinha, afinal, nada que ver com a série e dizia que ele tinha de responder publicamente às alegações de abusos sexuais. C.K., que rejeitou comentar estas novas revelações ao The New York Times, tinha negado completamente tudo em Junho de 2016 numa entrevista ao Vulture, o site da New York Magazine, a dizer que "não queria saber disso e não significava nada para ele", adicionando ainda que, se alguém precisava de ter um "perfil público que fosse todo positivo", teria de estar "doente da cabeça".

Pouco depois dessa peça do Vulture, Roseanne Barr, a protagonista da entretanto renascida sitcom dos anos 1980 e 1990 Roseanne, tinha dito também ao Daily Beast que tinha ouvido várias histórias sobre C.K., mas sem entrar em nada de específico. Pouco antes, em 2015, Jen Kirkman, a cómica que apresenta opodcast I Seem Fun, falou num episódio sobre o conflito interior que sentiu quando um poderoso cómico contra o qual existiam alegações de abuso ou assédio sexual a tinha convidado para fazer a primeira parte dos seus espectáculos. A linguagem era suficiente específica para C.K. ter vindo à baila nas notícias sobre o assunto, o que a levou a apagar o episódio. Este ano, em entrevista ao The Village Voice, confirmou que era a ele que se referia, mesmo não tendo qualquer acusação directa a fazer. 


Na segunda temporada de One Mississippi, sobre a qual versava a já mencionada entrevista de Notaro ao Daily Beast, uma das personagens femininas é forçada a ver um homem masturbar-se num contexto laboral. Ainda esta terça-feira, em entrevista ao podcast Bullseye, Notaro explicava que a equipa de argumentistas da série, toda composta por mulheres, já tinha, de uma maneira ou de outra, sofrido abusos ou assédio sexual. Quando questionada pelo apresentador, Jesse Thorn, sobre a ligação com C.K. e se a história teria sido escolhida de propósito, esta reiterou que este não estava envolvido na série, e que era um "relato na primeira pessoa de alguém que, no seu mundo profissional, tinha sentido isso", e que era "o seu dever levantar a voz para falar por pessoas que precisavam de apoio". Em declarações na mesma peça do The New York Times, a cómica explicou que tinha medo que C.K., que sempre teve uma postura de apoio a mulheres na sua comédia e na vida pública, tivesse lançado o álbum dela para "cobrir os seus rastos".

I Love You Daddy, o filme realizado por C.K. cuja estreia em Nova Iorque foi agora cancelada, é uma comédia a preto e branco que já tinha causado controvérsia em Setembro, quando se estreou no Festival de Cinema de Toronto. O filme deve muito a Manhattan, de Woody Allen, não só em termos de estilo mas também em termos de história. É que se foca num produtor de televisão, interpretado pelo próprio Louis C. K., cuja filha de 17 anos (Chloë Grace Moretz) começa a passar demasiado tempo com um realizador quase septuagenário (John Malkovich) com fama de ter relações pouco apropriadas com mulheres mais novas. A história remete não só para Allen, que foi acusado de abuso sexual pela filha adoptiva Dylan Farrow e casou, depois de uma relação que começou quando esta ainda não tinha feito 20 anos, com Soon-Yi Previn, a filha adoptiva da ex-namorada, Mia Farrow, mas também para os próprios rumores sobre C.K., com referências aos actos de que este é agora acusado.

O cómico, vencedor de seis Emmy, foi um dos argumentistas originais do Late Night de Conan O'Brien, tendo também passado pelo Late Show de David Letterman e sido chefe da lendária equipa de argumentistas de The Dana Carvey Show, que incluía também nomes como Stephen Colbert, Steve Carell, Bob Odenkirk ou Charlie Kaufman, além do já mencionado The Chris Rock Show, apresentado por Chris Rock, com quem escreveu filmes e com ajuda do qual realizou Pootie Tang, de 2001.

Em 2006, criou Lucky Louie, a pouco bem sucedida, tanto em termos de crítica quanto de público, sitcom da HBO, tendo em 2010 criado, protagonizado, realizado e desempenhado a maior parte dos papéis criativos em Louie, do FX. Nos últimos anos, tem sido cada vez mais conhecido pela stand-up, tendo o seu último especial, 2017, saído este ano no Netflix. Em 2016, criou e protagonizou Horace & Pete, uma série web que vendeu no seu próprio site e tinha no elenco nomes como Steve Buscemi, Alan Alda ou Edie Falco. Entre outros projectos, é co-criador e produtor executivo de Better Things, a série de Pamela Adlon no FX, sua colaboradora em Louie, bem como, ao lado de Zach Galifianakis, um dos responsáveis por Baskets, que se estreou em Portugal no passado dia 3 na plataforma FOX+.

O artigo do The New York Times deverá agora reacender a polémica em torno do filme que será exibido este mês, fora de competição, no LEFFEST, o Festival de Cinema de Lisboa & Sintra (no qual será também possível ver o novo filme de Woody Allen, Roda Gigante). A estreia em Portugal continua marcada para dia 21 de Dezembro

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Kate Winslet e Allison Janney beijam-se em entrega de prémios


Winslet elogiou colega com quem nunca contracenou.
CULTO 7 de Novembro de 2017

Depois de subir ao palco para receber o prémio de melhor actriz no âmbito dos Hollywood Film Awards, no domingo, em Los Angeles, a actriz Kate Winslet surpreendeu quando fez um elogio à também actriz Allison Janney que, confessou, não conhecer. "Eu quero ser como tu", declarou.
Winslet que ganhou o prémio pela sua actuação no último filme de Woody Allen, começou o seu discurso por elogiar a criatividade das pessoas que trabalham na indústria do cinema e depois confessou admirar muito Allison Janney – que também estava na sala e ganhou o prémio de actriz secundária pelo filme I, Tonya – dirigindo-se-lhe: "Allison, eu sei que não nos conhecemos, mas eu quero ser como tu ou simplestemente cumprimentar-te ou... quero dizer, podemos beijarmo-nos? Talvez?".

KATE WINSLET AND ALLISON JANNEY KISSING AT THE HOLLYWOOD FILM AWARDS.

À medida que a actriz de 42 anos ia falando no palco, Janney levantou-se e dirigiu-se para o mesmo. "Oh, isto vai acontecer!", exclamou Winslet. Quando Janney chegou, as duas actrizes beijaram-se e abraçaram-se. A actriz celebrada por Titanic confessou ter ficado sem respiração e a plateia riu e aplaudiu o momento.


Não é a primeira vez que duas actrizes se beijam em palco. Em 2010, Sandra Bullock e Mery Streep partilharam o prémio de melhor actriz pelo Critics' Choice Movie Awards e, em palco, simularam uma discussão que terminou com um beijo.

A cerimónia dos Hollywood Film Awards, que decorreu no hotel Beverly Hilton, teve como apresentador James Corden e o actor Gary Oldman foi homenageado com o prémio carreira. Além das duas actrizes, também Jake Gyllenhaal, Angelina Jolie, Sam Rockwell, Adam Sandler e Mary J Blige foram premiados.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

ASSÉDIO SEXUAL



Vários membros de House of Cards denunciam comportamento "predador" de Kevin Spacey
À CNN, oito actuais e antigos membros da equipa de produção da série relatam um padrão de assédio sexual de Kevin Spacey que, dizem, tornou o ambiente de trabalho tóxico, principalmente para jovens.


PÚBLICO

Depois de Anthony Rapp, oito membros da equipa de produção da série House of Cards denunciaram o comportamento “predador” de Kevin Spacey, incluindo contacto físico não consentido e comentários grosseiros normalmente dirigidos a jovens do sexo masculino.
A primeira denúncia contra Spacey veio a público no domingo, quando o actor Anthony Rapp acusou a estrela de House of Cards de o ter assediado aos 14 anos.O actor emitiu um pedido “sincero” de desculpas, assumindo também que escolheu “viver como um homem gay”. Dois dias depois, a Netflix e a Media Rights Capital decidiram suspender a produção da sexta (e última) temporada da popular série de bastidores da política americana.

Já nesta quinta-feira, os representantes de Spacey revelaram que o actor vai procurar tratamento. "Kevin Spacey vai tirar o tempo necessário para procurar uma avaliação e tratamento", afirmou Staci Wolfe, agente do actor.

Agora, a CNN revela os relatos de oito membros da série que acusam Spacey de assédio sexual - os denunciantes solicitaram o anonimato por receio de represálias profissionais.

Um antigo assistente de produção da série de sucesso da Netflix disse ao canal norte-americano que Spacey o assediou, durante uma viagem para o local das filmagens. A minutos de distância dos estúdios, Spacey, que estava a conduzir, colocou a mão nas calças do assistente, relata, garantindo que o contacto não foi consentido.

“Eu estava em estado de choque”, disse. “Ele era um homem numa posição muito poderosa na série”, acrescenta. O assistente de produção recusou relatar o que se passou depois, por recear que isso o identifique.

Mas conta que depois de chegados ao local de filmagens, ajudou Spacey a retirar os seus pertences do carro para a roulotte reservada ao actor. Quando aí chegaram, Spacey bloqueou a sua saída e fez contactos impróprios.

“Eu disse-lhe: ‘Eu penso que não estou de acordo com isto, penso que não estou confortável com isto’”, relatou. Foi nesta altura que Spacey se mostrou “visivelmente nervoso”, tendo regressado ao carro. O actor deixou o local de filmagens e não apareceu durante todo o dia, segundo o relato obtido pela CNN.

Este assistente de produção não relatou o incidente nem aos funcionários de topo da produção nem às autoridades mas contou o que se passou a um colega, que confirmou o caso à CNN.

Outras pessoas que trabalharam na produção da série que Spacey protagoniza e da qual é também um dos produtores executivos dizem ao canal que o ambiente poderia ser tóxico para jovens por causa do comportamento de Kevin Spacey. Um deles disse que o actor o assediou e lhe tocou de forma “estranha” repetidamente, incluindo massagens nos ombros.

“A Netflix apenas soube de um incidente, há cinco anos, de que fomos informados e que foi rapidamente resolvido”, disse a empresa em resposta à CNN. “A Netflix não tem conhecimento de qualquer outro incidente envolvendo Kevin Spacey em estúdio”, acrescenta.

A Media Rights Capital, por sua vez, revelou que criou uma “linha anónima de queixas, conselheiros de crise, e consultores legais de assédio para a equipa”.

Várias outras pessoas relataram este tipo de comportamento de Spacey, incluindo um assistente de câmara, que nunca foi assediado, mas que assistiu a um incidente do género com o actor que “toda a gente viu”. “Todos os membros da equipa comentaram o comportamento dele”, refere.



Efeito Weinstein: Kevin Spacey pede desculpas por assédio e revela homossexualidade
Catalisador de denúncias de comportamento sexual indesejado chegou a Westminster ou ao Parlamento Europeu, e leva ao coming out de um actor de renome.


Anthony Rapp,


O actor Anthony Rapp, actualmente a trabalhar na série Star Trek: Discovery e um dos elementos do musical Rent, acusou Kevin Spacey de assédio e de o tentar seduzir quando tinha 14 anos. O pedido “sincero” de desculpas de Spacey, um dos mais conhecidos actores da sua geração, veio acompanhado da revelação de que escolhe “viver como um homem gay”. O efeito catalisador do caso Harvey Weinstein, que continua a crescer, gerou denúncias de comportamento sexual indesejado por parte de figuras em posição de poder a vários níveis — esta segunda-feira mais de 150 artistas, curadores e directores de museus denunciaram abusos no mundo das artes e no fim-de-semana dois políticos britânicos foram também acusados.

No domingo, o site Buzzfeed publicou a notícia de que Rapp, hoje com 46 anos, se queixa de uma noite de assédio por parte de Kevin Spacey, respeitado actor do teatro, cinema e televisão, onde há cinco anos interpreta o protagonista do drama político House of Cards. Ambos estavam a trabalhar na Broadway, em duas peças diferentes, e numa festa na casa de Spacey o jovem de 14 anos deu por si no quarto do anfitrião, já com a casa vazia. “A minha impressão quando entrou no quarto foi de que estava bêbado”, diz Rapp. Spacey, então com 26 anos, ter-se-á deitado sobre Rapp e usado alguma força para o manter naquela posição. “Estava a tentar seduzir-me”, relata, acrescentando que conseguiu passar para a casa de banho e anunciou depois ter-se ido embora do apartamento.

Sente-se sortudo por nada mais ter acontecido, mas ao mesmo tempo incrédulo e zangado por ter sido posto em tal situação. Decidiu contar a sua história por mais motivos do que queixar-se, disse ao Buzzfeed — “mas para tentar iluminar décadas de comportamento que se tem permitido que continue porque muitas pessoas, incluindo eu, permanecem em silêncio”. O “momento que vivemos” fê-lo sentir que podia pôr um nome numa história que já tinha contado no passado — mais precisamente à revista The Advocate, em 2001, em que não identificava o homem que o assediou enquanto adolescente. Algumas alegadas vítimas de outros casos, agora vindos a público, tinham feito o mesmo, contando as suas histórias mas sem nomear o suposto agressor.

Kevin Spacey reagiu via Twitter com a publicação de uma nota em que manifesta a sua “admiração” por Rapp enquanto actor e diz: “Estou mais do que horrorizado por ouvir esta história. Honestamente, não me lembro do encontro, terá sido há mais de 30 anos. Mas se me comportei como ele descreve, devo-lhe as desculpas mais sinceras por o que teria sido um comportamento bêbado profundamente inapropriado”.

Numa segunda parte da nota, um efeito colateral da acusação de que é alvo — Spacey diz que a história o fez querer lidar com “outras coisas” na sua vida e acrescenta que sabe que “há histórias” sobre ele, justificando que tem protegido a sua privacidade. “Na minha vida tenho tido relações com homens e mulheres. Amei e tive encontros românticos com homens ao longo da minha vida e hoje escolho viver como um homem gay. Quero lidar com isto com honestidade, e abertamente, e isso começa por examinar o meu próprio comportamento”.

Kevin Spacey tem 58 anos e, tal como escreve na sua mensagem de domingo, tem defendido o seu direito à privacidade no que toca à sua vida íntima ao mesmo tempo que, nos bastidores e em alguns media, tem também sido alvo de rumores e especulação quanto a ela. Rapp interpreta actualmente um cientista que é a primeira personagem abertamente gay no universo Star Trek.

MeToo em Westminster e no Parlamento Europeu
Três semanas depois do início do escândalo Weinstein, alimentado por duas investigações jornalísticas em que pela primeira vez actrizes de renome falaram na primeira pessoa sobre casos de assédio sexual de diferentes graus de gravidade alegadamente perpetrados por um homem que tinha poderio físico e profissional sobre elas, as réplicas do mesmo continuam a fazer-se sentir em vários sectores e países.

Em parte produto de um momento em que uma atmosfera de responsabilização e de não-culpabilização das alegadas vítimas parece favorecer o número crescente de histórias a vir a público, como vários envolvidos têm contextualizado, extravazou já os limites do entretenimento. Na semana passada o Parlamento Europeu aprovou uma resolução sobre a luta contra o assédio sexual e os abusos sexuais na União Europeia — que muitos vêm como tendo sido motivado pela adesão ao movimento online MeToo, destinado a partilhar testemunhos de assédio, por várias eurodeputadas, e por uma investigação do site Politico.

Este fim-de-semana, duas denúncias de alegados comportamento sexuais inapropriados por parte de um deputado e de um ex-governante britânicos (do Partido Conservador) motivaram a primeira-ministra Theresa May a pedir a criação de um serviço independente que medeie o processo e indicou que podem ser criadas novas regras de conduta. O Guardian escreve esta manhã que esta semana se poderá revelar “o verdadeiro alcance do assédio sexual em Westminster”.

Um abaixo-assinado que continua a acumular signatários e que tem como promotores nomes como o da fotógrafa norte-americana Cindy Sherman ou da britânica Suzanne Cotter, ainda directora do Museu de Serralves, no Porto, denuncia esta segunda-feira as práticas de assédio sexual no mundo das artes.

Kevin Spacey

Nos últimos dias novas queixas foram feitas contra agentes de talentos — o agente Tyler Grasham está a ser investigado por agressão sexual pela Polícia de Los Angeles — ou dirigentes de estúdios — Andrew Kramer, da Lionsgate, saiu da empresa após uma denúncia de assédio. O realizador James Toback foi acusado há uma semana por mais de 30 mulheres de assédio sexual e violação, através de denúncias feitas ao Los Angeles Times que, segundo o diário, suscitaram mais de 200 outras queixas e fizeram as actrizes Selma Blair, Julianne Moore e Rachel McAdams contar as suas próprias histórias de agressão por parte de Tobback, que por vezes prometia papéis em troca de sexo. Este nega as alegações e em declarações agora reveladas pela Rolling Stone considera-as “nojentas”. “É a forma oposta de eu trabalhar”, reiterou, “trabalho de forma séria com total integridade".

No final da semana passada, a actriz Annabella Sciorra contou à New Yorker, num novo artigo do jornalista Ronan Farrow (filho de Mia Farrow e acusador dos alegados abusos por Woody Allen à sua filha adoptiva Dylan Farrow), ter sido violada por Harvey Weinstein e posteriormente perseguida e assediada pelo produtor. A sua história remonta ao início dos anos 1990 — em 1993 filmou para a Miramax, a produtora e distribuidora dos irmãos Weinstein —, quando este forçou a entrada no seu apartamento após um jantar de trabalho e a obrigou a ter relações sexuais violentamente.

“Como muitas destas mulheres, tive tanta vergonha do que aconteceu. E eu lutei. Lutei. Mas ainda assim estava ‘Por que é que abri aquela porta? Quem é que abre a porta àquela hora da noite?’. Senti-me nojenta. Senti que tinha feito merda.” Weinstein terá tentado repetir o sucedido anos mais tarde, aparecendo-lhe à porta em roupa interior e com um frasco de óleo para bebé, mas a actriz terá chamado o pessoal do hotel. Mais de 60 mulheres acusam o produtor de assédio, agressão sexual ou violação cometidos alegadamente ao longo de décadas. Algumas forças policiais estão a investigar as acusações e a sua empresa, de onde foi demitido e onde terá também assediado várias funcionárias, encontra-se em tumulto financeiro. Dia 5, o New York Times publicou a sua primeira investigação sobre o tema, seguida pela New Yorker, dia 10.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Roman Polanski: Realizador acusado de violar rapariga de 10 anos


Inspirada pelo escândalo que envolve o produtor Harvey Weinstein, a alegada vítima do realizador quebrou o silêncio ao fim de 42 anos.

As recentes revelações sobre os alegados casos de assédio e até violação envolvendo o produtor Harvey Weinstein estão a levar outras mulheres a trazer outras más experiências do mundo do cinema para a luz do dia.

A mais recente é a artista Marianne Barnard e envolvem o realizador Roman Polanski.

Após uma primeira denúncia no Twitter de como este lhe tirou fotografias nua com um casaco de peles numa praia em Malibu antes de a violar quando tinha 10 anos, em 1975, as acusações foram mais detalhadas numa entrevista ao jornal britânico The Sun.

"Havia umas rochas e ele tirou-me fotografias nessas rochas. No princípio julgava que apenas ia à praia com a  minha mãe. Estávamos lá há algum tempo e depois ele estava lá. E ela explicou-me que este homem queria tirar-me fotografias de mim com aquele casaco de peles. Pensei que fosse para uma revista ou algo do género", explicou Barnard.

Após tirar fotografias em biquíni, o realizador terá pedido à jovem para tirar a parte de cima, o que esta não estranhou porque estava habituada a andar sem ele, mas começou a ficar desconfortável quando a seguir quis que ficasse completamente nua.

"E então a certa altura percebi que a minha mãe não estava lá. Não sabia onde ela tinha ido e não me apercebi de ela ter saído, mas ela já ali não estava. E depois ele molestou-me", acrescentou.

Marianne Barnard decidiu contar o seu caso após o exemplo de ver outras mulheres a darem a cara sobre as suas experiências com Harvey Weinstein.

"Em consciência, pensei que não podia estar calada sabendo o que sei e tendo passado pelo que passei", explicou.

Roman Polanski foi condenado por violação de uma jovem de 13 anos em 1977, aceitando um acordo que o deixaria fora da prisão após cumprir uma pena de 42 dias. Alertado que o juiz no seu caso não aceitaria esse plano, abandonou os EUA e nunca mais regressou.

O realizador não comentou as novas acusações.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Novo filme de Woody Allen vai ter cenas de sexo entre um adulto e uma menor


Woody Allen ainda agora começou as filmagens de uma nova produção da sua autoria e a polémica já está à espreita. E por várias razões. Mas a principal é o facto de a indústria de Hollywood ter saltado para a ordem do dia depois das acusações de assédio sexual e violação contra o consagrado produtor Harvey Weinstein por parte de dezenas de mulheres. Outro dos factores é o próprio passado de Allen.

Segundo o Page Six, o filme intitulado A Rainy Day in New York inclui algumas cenas de sexo entre um homem de meia idade com aspirantes a actrizes menores. Concretamente, a personagem interpretada por Rebecca Hall acusa a personagem interpretada por Jude Law, de 44 anos, de ter tido relações sexuais com uma “concubina” de 15 anos. A menor é interpretada por Elle Fanning. “Estas mulheres foram todas prazer, ou foram uma pesquisa para um projecto?”, questiona a personagem de Fanning à de Jude Law depois de uma discussão entre ambos quando a jovem se dá conta da infidelidade do homem, segundo relata o Page Six.

Este facto traz novamente a lume o recente escândalo que abalou Hollywood relativamente ao comportamento alegadamente predatório de Harvey Weinstein. Acerca deste assunto, Allen chegou a afirmar à BBC que “toda esta coisa do Harvey Weinstein é muito triste para toda a gente envolvida", acrescentando que está instalado um ambiente de “caça às bruxas” em Hollywood. Depois, em declarações à revista Variety, o realizador clarificou o que havia dito anteriormente: “Quando eu disse que me sentia triste por Harvey Weinstein pensei que tivesse ficado claro que era porque ele é um homem doente, depravado”.

O próprio realizador já se viu envolvido em polémicas sobre abusos sexuais. Em concreto, no início dos anos 1990 e depois de se ter divorciado de Mia Farrow, uma das filhas adoptivas do casal, Dylan Farrow, então com sete anos, relatou à mãe que havia sido alvo de abusos sexuais por parte de Woody Allen. O caso foi entregue às autoridades, mas, mais tarde, uma equipa de psicólogos do hospital de Yale-New Haven, especializado em abusos sexuais a menores, deu como provado que a rapariga não tinha sido abusada pelo pai.

Mas a polémica entre o casal não se ficou por aqui. Ainda antes do divórcio, Woody Allen iniciou uma relação com a sul-coreana Soon-Yi Previn, filha adoptiva de Mia Farrow e do seu ex-marido, o compositor André Previn. Actualmente, o realizador está casado com Soon-Yi. Na altura da adopção, foi calculado que a sul-coreana teria nascido em 1970, o que faz com que a diferença de idades entre Allen e Soon-Yi seja de pelo menos 35 anos.

Ora, a grande diferença de idades entre casais é tema recorrente nos filmes de Woody Allen, sendo que as personagens masculinas são muitas vezes interpretadas pelo próprio. É o caso de Manhattan – um dos filmes mais aclamados do realizador – onde Allen tem o papel de um comediante de 42 anos que tem uma relação com uma rapariga de 17, interpretada por Mariel Hemingway. Poderosa Afrodite e Maridos e Mulheres, são outros exemplos disso mesmo.

Ronan Farrow é também filho de Woody Allen e Mia Farrow e tem ganho notoriedade, nos últimos anos, devido à denúncia de vários casos de abusos sexuais. Aliás, um artigo escrito por si na revista New Yorker contribuiu para a denúncia dos casos de assédio e violação alegadamente perpetrados por Harvey Weinstein.