Anita Ekberg



Morreu Anita Ekberg, imortalizada na Fontana di Trevi do La Dolce Vita

MÁRIO LOPES
11/01/2015
A actriz em 2010
TIZIANA FABI/AFP
Ekberg com Mastroianni em 1960
DR
A actriz sueca Anita Ekberg, que ficou famosa pela sua interpretação no filme de Federico Fellini, estava internada numa clínica.
Na célebre cena na Fontana di Trevi





                                                                                                                  A actriz em 2010 TIZIANA FABI/AFP
A sua filmografia conta mais de cinco dezenas de títulos, mas é apenas a um que regressamos sempre que falamos dela. Para sermos mais precisos, é uma cena desse filme que recordamos sempre que falamos de Anita Ekberg, actriz modelo, pin-up tornada actriz, nascida na Suécia, feita estrela em Hollywood, cristalizada enquanto ícone em Itália.

Sylvia, ou seja, ela mesma enquanto corpo fílmico imaginado por Federico Fellini, banhando-se com um vestido decotado na Fontana di Trevi, em Roma, enquanto “flirta” com o jornalista Marcello Rubini, ou seja, Marcello Mastroianni. “Marcello, come here!”, ouvimo-la em La Dolce Vita (1960), naquela que se preservou como uma das mais célebres cenas do cinema.

Anita Ekberg já não filmava com regularidade desde a década de 1970. Vivia isolada numa villa nos arredores de Roma, acompanhada dos seus cães, de onde saía esporadicamente para participar, por exemplo, na inauguração de uma exposição dedicada a Fellini – e aí chegada, perguntariam à mulher octagenária, que a fractura de uma anca atirara nos últimos anos para uma cadeira de rodas, sobre “aquela” cena.

Internada desde o último Natal, Anita Ekberg morreu este domingo na clínica San Raffaele di Rocca di Papa. Tinha 83 anos e continuava a gostar de dizer “fui eu que tornei Federico Fellini famoso, não o contrário”.

Nascida em Malmö, Suécia, a 29 de Setembro de 1931, sexta de oito filhos, Anita Ekberg foi Miss Malmö e, depois, Miss Suécia, em 1950. No ano seguinte, viajou para os EUA para concorrer a Miss Universo. Não venceu, mas a Suécia, país a que só regressaria muito esporadicamente até ao fim da vida, ficava para trás.

Não foi coroada Miss Mundo, dizíamos, mas esteve entre as seis finalistas. Mais importante que isso, o concurso abriu-lhe as portas de Hollywood. Ganhou um contrato com a Universal, que a colocou em aprendizagem na sua "fábrica de montagem". Em causa estaria, como aconteceu como Jayne Mansfield, a hipótese de uma resposta (in)voluntariamente paródica a Marylin Monroe.

Em 1953, estreia-se ao lado da dupla de comediantes Abbott e Costello emAbott and Costello Go To Mars, encarnando uma venusiana. Pela sua presença misteriosa no ecrã, nesses primeiros filmes, acabou alcunhada The Iceberg (o que era também, obviamente, um jogo fonético com o seu apelido).

Nessa primeira fase a sua carreira, trabalhou também com Frank Tashlin (Artists and Models, de 1955, com a dupla Jerry Lewis/Dean Martin) mas desde logo Ekberg foi mais um “acontecimento” - fabricado para as revistas de homens que começaram a proliferar nos anos 50, com a ajuda, é claro, das suas medidas excessivas - do que uma actriz. Vimo-la, ainda assim, no Guerra e Paz de King Vidor (1956) ou, no mesmo ano, em novo encontro com Jerry Lewis e Dean Martin em Hollywood or Bust.

Quatro anos depois, em 1960, tornar-se-ia lendária. Foi nesse ano que Federico Fellini a chamou para ser a protagonista do seu retrato de uma Roma tão fascinante e vibrante quanto decadente. O génio do casting que Fellini fez em Dolce Vita e, depois, no seu episódio de Bocaccio 70 (filme de 1962 dividido em várias secções independentes realizadas por Fellini, Mario Monicelli, Luchino Visconti e Vittoria De Sica), foi não negar isso mas, pelo contrário, exponenciar, até à fronteira do grotesco, essa dimensão de mulher-fenómeno.

Ekberg chamara a atenção de Fellini depois de este ver uma foto sua numa revista. Uma imagem em que a actriz surgia descalça, refrescando os pés no Fontana di Trevi, precisamente, no final de uma noite passada a dançar num dos clubes nocturnos da capital italiana. “Eu não falava italiano e ele, na altura, não falava inglês”, recordou Ekberg numa entrevista ao Guardian em 1999. “Comunicávamos com o olhar. Era incrível. Não precisámos de dialogar a maior parte do tempo. Com o pouco italiano que eu sabia, e com o pouco inglês que ele sabia, comunicávamos muito, muito bem”.

Há uma dimensão humana que lhe foi resgatada por Fellini quando, no falso documentário Entrevista (1987), chama de novo a si as suas criaturas deDolce Vita, Marcelo e Anita, corpos já envelhecidos vendo e comentando os jovens Sylvia e Marcello no filme de 1960.

No seu período áureo foi ligada romanticamente a nomes como Errol Flynn, Gary Cooper ou Frank Sinatra. Certo é que o milionário Howard Hughes a tomou como sua protegida, aconselhando-a a fazer uma operação plástica ao nariz e a mudar os dentes e o apelido. Recusou tudo (se se tornasse famosa, argumentou, os americanos aprenderiam a pronunciar o seu nome, se não se tornasse famosa, o seu nome não interessaria para nada). Não foi apenas isso que recusou a Hughes – também terá havido um pedido de casamento declinado. Anita Ekberg esteve casada duas vezes, primeiro com o actor inglês Anthony Steel, entre 1956 e 1959, e depois com o actor americano Rik Van Nutter, entre 1963 e 1975.

Até ao início da década de 1970, manteve uma actividade cinematográfica constante mas, com as excepções já referidas, pouco memorável. A Fontana di Trevi, essa, será para sempre sua. Em quatro minutos, os que demora a cena, Anita Ekberg garantiu a eternidade.



Anita Ekberg, 1960

Federico Fellini and Anita Ekberg on a lunch break, during filming of La dolce vita









































Modelo e Miss

Ekberg começou a trabalhar como modelo para revistas de moda na adolescência e, em 1950, com o incentivo da mãe, participou e venceu o concurso de Miss Malmö, da sua cidade, sendo depois eleita Miss Suécia de 1951. Foi então para os Estados Unidos representar o país no Miss Universo, em Long Beach.

Apesar de não vencer o concurso, ficou entre as seis finalistas, o que lhe garantia um contrato como starlet da Universal Studios, como parte do prémio do concurso na época. Nos Estados Unidos, Ekberg conheceu Howard Hughes, milionário produtor de filmes, que a convidou a trabalhar para ele mas queria que ela trocasse de nome e fizesse uma plástica ao narizdentes. Howard dizia que 'Ekberg', nome sueco, era difícil de pronunciar para o americano comum. Entretanto recusou-se a mudar de nome, dizendo que se ficasse famosa, iam aprender a pronunciá-lo e caso não ficasse, o nome não teria qualquer importância. Como contratada do estúdio, passou a receber aulas de interpretação, dança, locução, hipismo e esgrima.

A combinação da beleza física e a agitada vida particular e social de Ekberg logo a transformaram numa pin-up e em presença constante nas páginas de revistas mundanas e masculinas dos meios de comunicação norte-americanos, o que a tornou uma das maiores pin-ups dos anos 50.



Anita Ekberg

Nome completo Kerstin Anita Marianne Ekberg
Nascimento 29 de setembro de 1931
Morte 11 de janeiro de 2015 (83 anos)
Rocca di Papa, Itália
Ocupação Actriz
Atividade 1953–2002
Cônjuge Anthony Steel (1956-1959)
Rik Van Nutter (1963-1975)


La Dolce Vita (1960)

Anita Ekberg & Frank Sinatra

Yul Brynner & Anita Ekberg

Jerry Lewis and Dean Martin painting on the back of Anita Ekberg in a scene from the film 'Artists And Models' 1955

Anita Ekberg, 1955

the 60s bazaar: Anita Ekberg

Charles McGraw et Anita Ekberg dans la Serie TV: ''Casablanca''




































Cinema

Ekberg ganhou certa fama nos Estados Unidos após uma  tournée feita com o comediante Bob Hope, em que substituiu Marilyn Monroe, doente, transmitida nacionalmente pela televisão. Na metade da década, começou a trabalhar para outros estúdios e foi contratada pela Paramount Pictures para trabalhar com Jerry Lewis e Dean Martin em Artistas e Modelos (1955) e Ou Vai Ou Racha que lhe deram grande projecção popular. No mesmo ano, foi para a Europa filmar com o director King Vidor, na versão de Guerra e Paz, em que fez o segundo papel feminino depois de Audrey Hepburn.

Depois de alguns filmes menores até o fim da década, finalmente teve a oportunidade de fazer o filme que a tornaria um ícone, quando foi convidada por Federico Fellini para viver Sylvia, famosa actriz sueco-americana em La dolce vita. O filme foi um grande sucesso de público e crítica a sua cena nocturna na Fontana di Trevi, banhando-se num vestido de noite negro, tornou-se um dos mais icónicos momentos da história do cinema.

O sucesso de La dolce vita levou-a a estrelar Boccaccio 70 com Sophia Loren e Romy Schneider e mais dois filmes testemunhais com Fellini em anos seguintes, I clowns (1970) e Intervista (1987), novamente com Mastroianni, onde representa a si mesma. Nos últimos anos, as aparições na tela, esporádicas, têm sido apenas em pequenos filmes europeus e na televisão italiana.


Vida pessoal

Ekberg teve uma vida amorosa agitada, casando-se duas vezes, a primeira com o actor britânico Anthony Steel (1956-1959) e depois com Rik van Nutter (1963-1976) mais conhecido pelo papel de Felix Leiter, o contacto norte-americano na CIA de James Bond, em 007 contra a Chantagem Atómica (1965). Envolvida romanticamente por três anos com o milionário italiano Gianni Agnelli, dono da Fiat e seu grande amor, com quem sempre desejou ter um filho sem conseguir, ela, afastada do cinema, viveu muito anos numa "villa" ao sul de Roma, tendo voltado poucas vezes à sua Suécia natal.


The wedding of Anita Ekberg and Anthony Steel, Florence, Italy, May 1956

Anita Ekberg and Victor Mature

Anita Ekberg and producer Mike Todd, 1950s

Marcello Mastroianni & Antia Ekberg, Rome 1959

Vikki Dougan and Anita Ekberg




























































































































































































































































 




































































































Imagens e textos (tradução automática), colhidos da internet

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