1969 Barbra Streisand

Barbra Streisand. Nasce uma estrela


Uma edição com inúmeras imagens inéditas dos fotojornalistas Steve Schapiro e Lawrence Schiller, que seguiram os seus primeiros passos em Hollywood. Maria Ramos Silva revê a obra com o selo Taschen em que emerge a actriz que sabia cantar, antes da cantora

Elas voltaram, anunciava esta semana um site sobre as últimas tendências da moda. “Os anos 70 telefonaram e querem o seu look de volta. Barbra Streisand, como aqui mostramos em ‘Nasceu Uma Estrela’, sempre gostou de gargantilhas, que reapareceram nos anos 90 e são agora recuperadas pelos estilistas das estrelas.” Antes de Rhianna ou Emma Watson, já a namoradinha da Broadway fazia escola. No final dos anos 60, numa nova era para a moda, posicionava-se no campo que celebrava o glamour menos convencional, com visuais que não passaram despercebidos às câmaras de Lawrence Schiller e Steve Schapiro.

No set, no estúdio ou estrada fora, as memórias da primeira década de carreira de Streisand são compiladas nesta edição da Taschen com mais de 300 páginas e várias imagens inéditas de bastidores, numa viagem à sua estreia na sétima arte e aos principais títulos em que figurou. Barbra foi uma rapariga endiabrada em “Funny Girl” (1968), uma reprise de um sucesso dos palcos; a Dolly Levi de “Hello, Dolly” (1969); a Daisy de “Melinda” (1970); a Doris de “O Mocho e a Gatinha” (1970); a Judy de “Que Se Passa, Doutor?” (1972); e uns quantos outros filmes até “Nasce Uma Estrela” (1976), na pele de Esther Hoffman. Ao seu lado, uma série de colegas, amigos e confidentes: Elliott Gould, William Wyler, Sydney Pollack, Vincente Minnelli, Cis Corman, Omar Sharif, Kris Kristofferson e Robert Redford.

Uma das personalidades mais influentes do showbizz, actriz, cantora, realizadora e produtora, Streisand pode gabar--se de ter recebido, entre outras distinções, todos os grandes troféus: Óscar, Tony, Emmy, Grammy e Globo de Ouro. Mas não sem antes a menina do nariz peculiar cheirar uma infância acre. A timidez de pouco ajudou nos primeiros tempos de escola, em que a aparência física era alvo de chacota entre pares. Barbra confessaria mais tarde que a própria mãe sempre duvidou da sua projecção no mundo do espectáculo, por a considerar pouco atraente para triunfar neste meio tão competitivo.

Com a voz, emancipada de padrões de beleza e gosto, a nova-iorquina de 72 anos, atingiu a fasquia dos mais de 50 álbuns de ouro, 30 de platina e 13 discos multiplatinados nos EUA. Tinha apenas 13 anos quando gravou as primeiras demos, em 1955, nos estúdios Nola Records e, ainda adolescente, encarregou-se de animar os clubes nocturnos. O desejo de ser actriz levou-a à Broadway, onde participou em produções de segunda linha, contracenando com uma então semidesconhecida Joan Rivers. Dos musicais ao grande ecrã foi um pequeno trajecto para a estrela que em Setembro fez um dueto com Jimmy Fallon no The Tonight Show, a primeira aparição no programa desde 1963. Foi aliás aqui que surgiu no ecrã pela primeira vez, no começo da década de 60, no formato então apresentado por Jack Paar. E é a estas décadas que regressamos para rever alguns dos retratos mais emblemáticos.

Na imprensa ou nos bastidores das grandes produções, Steve Schapiro dispensa um bilhete de identidade exaustivo. As suas fotos marcaram as capas de publicações como “Vanity Fair”, “Time”, “Sports Illustrated”, “Life”, “Look”, “Paris Match” e “People”, e fazem parte de várias colecções de museus. Há cinco livros editados sobre o seu trabalho, “American Edge”, “Schapiro’s Heroes”, “The Godfather Family Album”, “Taxi Driver” e “Then and Now”. Em Hollywood esteve envolvido em mais de 200 fitas – recorde-se do seu nome quando voltar a olhar para os posters de filmes como “O Cowboy da Meia-Noite”, “Taxi Driver”, O Padrinho – Parte III” ou “Lar, Doce Lar... às Vezes”.

Já Lawrence Schiller ensaiou os primeiros cliques como foto-jornalista ao serviço de revistas como a “Life”, a “Playboy”, e a “Paris Match”. Algumas das figuras mais icónicas da década de 60 foram imortalizadas pela sua lente, casos de Lee Harvey Oswald e Robert F. Kennedy, sem esquecer outros apelidos famosos, como Ali, Foreman, Redford e Newman. A sua colaboração em matéria de livros valeu-lhe um Pulizer, crédito partilhado com o escritor Norman Mailer, por “The Executioner’s Song” (Schiller é, aliás, o fundador do Norman Mailer Center & Writer’s Colony, em Provincetown, Massachusetts). Autor de cinco bestsellers do “The New York Times”, dirigiu ainda filmes e mini-séries televisivas, uma delas de adaptação da obra de Mailer ao ecrã, vencedora de Emmys, tal como “Peter the Great”.

Não menos acostumados aos meandros da indústria do entretenimento, Patt Morrison, escritor e colunista do “Los Angeles Times”, e Lawrence Grobel, que em 1977 entrevistou Streisand para a revista “Playboy”, associam-se aos créditos desta edição contribuindo com alguns conteúdos.




Streisand & Redford on the set of 1973’s “The Way We Were”. Photo: Steve Schapiro


Barbra Streisand




Barbra and Jason at Stop Cancer Gala on Nov. 23 at the Beverly Hilton Hotel.



















Barbra Streisand ,2002
















barbra streisand 2013


Barbra Streisand com Ella


Barbra Streisand com Liza Minnelli


Barbra Streisand com Madonna


Barbra Streisand, 1964



Born Barbara Joan Streisand
April 24, 1942 (age 72)
Williamsburg, Brooklyn, New York, United States
Residence Malibu, California, U.S.
Education Erasmus Hall High School
Occupation; Singer;songwriter; actress; author; producer; director; screenwriter
Political party Democratic
Religion Judaism
Spouse(s) Elliott Gould (m. 1963–71) James Brolin (m. 1998)
Children Jason Gould
Relatives Roslyn Kind (half-sister)
Josh Brolin (stepson)
Awards See music awards and film awards
Musical career
Genres; Broadwayjazztraditional pop; discoadult contemporary
Instruments Vocals
Years active 1955–present

Website www.barbrastreisand.com





in Hello, Dolly! (1969)



Filmography
2012 Minha Mãe é Uma Viagem Joyce Brewster 

1996 O Espelho Tem Duas Faces Rose Morgan

1991 O Príncipe das Marés Doctor Susan Lowenstein 

1983 Yentl Yentl 

1976 Nasce Uma Estrela Esther Hoffman 

1975 Funny Lady Fanny Brice 

1973 Nosso Amor de Ontem Katie Morosky 

1972 Essa Pequena é uma Parada Judy Maxwell

1969 Alô, Dolly! Dolly Levi 

1968 Funny Girl - A Garota Genial Fanny Brice










O nome dela é Barbra e continua a intrigar-nos


JORGE MOURINHA   02/05/2016 - 09:12

Barbra Streisand: Redefining Beauty, Femininity and Power explora a ideia da actriz e cantora como ícone cultural que triunfou no mundo do espectáculo assumindo abertamente a sua identidade enquanto mulher e enquanto mulher judia.

É muito fácil sucumbirmos à caricatura de Barbra Streisand, uma das últimas representantes do estrelato da Broadway que fez a transição para o showbizglobal, como diva reclusa, narcisista e perfeccionista, ou como surpreendente ícone da comunidade gay americana. O “caso” para a importância maior de Streisand, contudo, acaba de ser defendido pelo jornalista e escritor Neal Gabler num ensaio biográfico publicado na prestigiada colecção da Yale University Press Jewish Lives, dedicada à multiplicidade da experiência e da identidade judia ao longo dos séculos. Streisand junta-se assim a políticos como Benjamin Disraeli ou Moshe Dayan, cientistas como Albert Einstein, Robert Oppenheimer ou Sigmund Freud, e a escritores como Marcel Proust, Franz Kafka ou Primo Levi no elenco de uma série académica que também já dedicou volumes a Steven Spielberg, Bob Dylan, Groucho Marx e aos irmãos Warner. 



Gabler, que já escreveu biografias do jornalista Walter Winchell ou de Walt Disney, explora em Barbra Streisand: Redefining Beauty, Femininity and Power a ideia da actriz e cantora como ícone cultural que triunfou no mundo do espectáculo assumindo abertamente a sua identidade enquanto mulher e enquanto mulher judia, recusando-se a ceder aos ditames culturais normativos e impondo uma identidade muito mais próxima da “mulher comum” do que da vedeta glamorosa. E, de facto, aqueles que não viveram o momento de maior impacto de Streisand nos anos 1960 e 1970, os anos em que a Nova Hollywood obrigou à redefinição das convenções do estrelato, poderão não ter consciência do que a popularidade da actriz significava. Streisand venceu 15 Grammys em 40 nomeações, dois Óscares entre os quais o de Melhor Actriz por Funny Girl, e cinco Globos de Ouro, e foi uma das fundadoras da First Artists, tentativa de “recriar” a experiência pioneira da United Artists onde era sócia de Dustin Hoffman, Paul Newman, Sidney Poitier e Steve McQueen.

Hoje com 74 anos (completados no passado dia 24), Streisand não pisa um palco da Broadway desde 1966 e apenas entrou em cinco filmes nos últimos 25 anos, período durante o qual tem estado mais activa enquanto cantora, publicando nove álbuns e arriscando quatro curtas digressões de palco. Mas o seu perfeccionismo continua lendário, e o seu modo esquivo de estar no olhar público sem estar garante que a sua presença continuará a pairar sobre Hollywood.







Barbra Streisand and Ryan O’Neal in What’s Up Doc?, 1972

Barbra Streisand, 1960


Barbra Streisand, 1970s


Barbra Streisand by Richard Avedon, March 1966.


Barbra Streisand and Louis Armstrong


Barbra Streisand, Hello Dolly.












Judy Garland and Barbra Streisand in “The Judy Garland Show”, broadcast on October 6, 1963


Almost too much coolness to bear: 1969, McQueen, Newman, Streisand, Poitier



Francesco Scavullo - Barbra Streisand with Kris Kristofferson in A star is born, 1976.


Barbara Streisand from the 70s and wind down.


Barbra Streisand taping in Bergdorf-Goodman for My Name is Barbra, CBS 1965


The Main Event (1979)


Barbra & baby Jason. 1967


Sophia Loren and Barbra Streisand


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