Carrie Fisher


Morreu Carrie Fisher, princesa das estrelas e de Hollywood
Aos 60 anos, desaparece uma actriz cuja carreira foi definida por um blockbuster e uma escritora que criticava o seu papel na sua própria vida – e na indústria do entretenimento.


JOANA AMARAL CARDOSO 27 de Dezembro de 2016


Carrie Fisher, a actriz que ficará conhecida como a princesa Leia de Star Wars, morreu em Los Angeles aos 60 anos de idade. Em parte estrela relutante e voz de um certo sarcasmo sobre a indústria na qual se lançou e foi lançada, era também escritora e argumentista. Era "única", disse Harrison Ford sobre a sua eterna co-protagonista.


Fisher tinha sofrido um ataque cardíaco na sexta-feira durante um voo entre Londres e Los Angeles e estava internada desde então. A notícia da sua morte, na manhã desta terça-feira (hora de Los Angeles), foi confirmada por um porta-voz da família. Fisher estava a filmar a série de comédia Catastrophe, de cuja rodagem estava a regressar na sexta-feira de Londres. O seu estado foi dado como estabilizado nos últimos dias, mas a actriz terá sofrido um novo enfarte e não sobreviveu.


A actriz é membro de uma família com raízes na era de ouro de Hollywood - filha do cantor Eddie Fisher e da actriz Debbie Reynolds, a sua meia-irmã é Joely Fisher, também actriz. A sua fama tornou-se planetária aos 19 anos, quando se encarnou a jovem princesa Leia, uma das personagens centrais de Star Wars - A New Hope, ou A Guerra das Estrelas em português. Além dos filmes da trilogia original de Star Wars – A Guerra das Estrelas, de 1977, O Império Contra-Ataca e O Regresso de Jedi – Fisher voltou para o papel de Leia em O Despertar da Força, um dos filmes mais rentáveis de sempre.


Nele partilhou algumas cenas emotivas com Harrison Ford, o rosto com o qual a cultura popular irá sempre emparelhá-la. Ela, petulante e corajosa nos filmes, tinha-lhe dito "I love you". Ele, ainda mais arrogante e bravo no espaço, respondera-lhe com um improvisado "I know". Quase 40 anos depois, ela ainda o cumprimentava com um beijo nos lábios fora do ecrã. Foi o que fez em Londres há um ano, quando descrevia Star Wars como uma “família” e assinava uma boneca Leia de um fã. Era esta a vida de uma princesa ficcional eternamente jovem no plástico dos brinquedos dos geeks, à margem de uma conferência de imprensa. 


Mas Carrie Fisher era mais do que a princesa Leia, versão heroína feminista ou ícone sexual das gerações de 1970 e 80. Ou do que a filha de Eddie Fisher, que cuidou do cantor nos últimos anos da sua vida – o casamento com Debbie Reynolds, que tem hoje 84 anos e que também se lançou em Hollywood aos 19 anos como a solar Kathy de Serenata à Chuva, terminou depois de um caso muito público dele com Elizabeth Taylor. 


Actriz de comédia bem sucedida com Um Amor Inevitável, de Rob Reiner, ou em The 'Burbs, trabalhou com realizadores como Woody Allen (Hannah e as suas irmãs) ou John Landis (O Dueto da Corda/Blues Brothers). Usava quase sempre a sua voz, cada vez mais rouca com a idade, para brincar com a indústria, contar histórias da sua própria vida mais ou menos dignificantes ou para denunciar o que lhe desagradava


"Carrie era única... brilhante, original. Engraçada e emocionalmente destemida. Viveu a sua vida corajosamente", disse Harrison Ford esta terça-feira em comunicado em reacção à morte da sua co-protagonista. 


Da dieta forçada ao famoso biquini dourado de O Regresso de Jedi, a sua admiração por George Lucas, o homem que a escolheu em detrimento de Sissy Spacek, Jodie Foster ou Terri Nunn (a vocalista dos Berlin) para o papel que definiria a sua carreira, não a impediu de defender a sua posição enquanto actriz num filme e numa indústria dominada por visões masculinas. "Carrie redefiniu o herói feminino da nossa era há mais de uma geração", postulou Kathleen Kennedy, presidente da Lucasfilm e produtora dos filmes Star Wars. A sua luta com as drogas e com a doença bipolar tornou-se pública, a sua frontalidade com elas deu-lhe reconhecimento e alimentou parte da sua carreira enquanto escritora. 


Admirava Dorothy Parker e distinguiu-se nesse campo, não só com o seu muito publicitado livro de memórias lançado há um mês, The Princess Diarist, em que revelou ter tido um romance "intenso" com Harrison Ford durante a rodagem da trilogia original de Star Wars, mas também com obras como a elogiada Postcards from the Edge (um romance de 1987 com traços autobiográficos em que falava da dependência de drogas nos anos 1970 ou da relação intempestiva com a mãe).


O livro seria transformado em filme em 1990 – Recordações de Hollywood, realizado por Mike Nichols, pôs Meryl Streep e Shirley McLaine nesses papéis, que em 2016 Carrie abraçou de frente e em nome próprio com o documentário Bright Lights: Starring Carrie Fisher and Debbie Reynolds. Neste filme, que apresentou no Festival de Cannes este ano, presta homenagem à turbulenta e apaixonada relação com a mãe, que ainda actua ocasionalmente. 


Como argumentista, assinou episódios televisivos de séries como Roseanne ou As crónicas do Jovem Indiana Jones e entre os seus livros está outro tomo autobiográfico, Wishful Drinking, que teve por base um espectáculo ao vivo.


A figura da mãe foi determinante na sua vida, sobretudo na perspectiva por vezes ácida que tinha quanto ao star system descartável de Hollywood – "Não tinha qualquer desejo de entrar" no show business, disse ao New York Times em 2006, porque viu de perto como ele danificou Debbie Reynolds.


 Mas não lhe resistiu e foi com a mãe que entrou em palco na peça Irene. Tinha 15 anos. Quatro anos depois, Star Wars "foi o motor que impeliu tudo o resto", como disse há um mês à Rolling Stone.


Deu-lhe a fama e uma carreira cujos papéis nunca teriam a visibilidade de Leia. O melhor do sucesso "é o dinheiro, viajar e as pessoas que conhecemos. A pior parte é, mais uma vez, o dinheiro, viajar e as pessoas que conhecemos", brincou na mesma entrevista. "Mas a parte pior é ser criticado", admitiu. Participou na cultura do entretenimento também na vida amorosa e social – casou-se com Paul Simon, que escreveu sobre o curto romance, dançou com os Rolling Stones, sofreu uma overdose que quase a matou no início dos anos 1990. Fazia vozes em Family Guy e teve inúmeras participações no cinema e na televisão. Algumas "as herself", Carrie Fisher a fazer de Carrie Fisher de O Sexo e a Cidade a A Teoria do Big Bang, passando pelo filme Fanboys.


Em The Princess Diarist, que coligiu a partir dos diários que escrevia durante o final da década de 1970 e das filmagens do então estranho projecto de uma ópera espacial feita pelo realizador de American Graffiti, escreveu: “A celebridade perpétua – aquele tipo em que qualquer menção do nome interessará a uma percentagem significativa do público até ao dia em que morremos, mesmo que esse dia venha décadas depois do nosso último contributo real para a cultura – é muitíssimo rara, reservada para pessoas como Muhammad Ali”. 


Leia, que adorava por ser "vivaça", foi o seu papel definidor e será provavelmente o seu último (em Rogue One, a princesa aparece na tela ainda jovem, mas graças efeitos especiais que recuperam imagens antigas). O Episódio VIII da saga, previsto para Dezembro de 2017, já foi filmado e encontra-se em fase de pós-produção. Carrie Fisher retoma o seu papel como Leia, mas a princesa há muito não morava ali – tinha sido promovida a general.

Para lá da paixão, Carrie Fisher recorda Harrison Ford como alguém distante emocionalmente, monossilábico e um pouco aborrecidoDR

O romance entre Han Solo, interpretado por Harrison Ford, e a princesa Leia, Carrie Fisher, foi um dos mais adorados pelo público. Muito se questionou se o amor entre as duas personagens não se tinha estendido à vida real. Durante décadas a actriz negou o envolvimento – até porque tinha, na altura da rodagem de Star Wars, 19 anos. Menos 14 do que Ford.


Mas em Novembro deste ano, Fisher publicou o livro The Princess Diarist (O Diário da Princesa) onde, finalmente, faz a revelação que todos já esperavam: um caso entre Han Solo e a Princesa Leia na vida real. No entanto, a romance não foi tão glamoroso e apaixonado como no grande ecrã.


Na verdade, a actriz admite que manteve o segredo durante tantos anos por vergonha: Harrison Ford era, aquando das filmagens para o filme e durante o caso entre os dois, casado e pai de duas crianças. Mas também porque encontrou um diário seu dos tempos de adolescência e decidiu transportá-lo para o livro.


Aí conta que Harrison Ford, de 33 anos, a seduziu pela primeira vez no banco de trás de um táxi quanto estava muito embriagada. A partir daí a paixão de Fisher por Ford cresceu. Mas o inverso não aconteceu. Aliás, a actriz relata que os fins-de-semana eram reservados para o sexo entre os dois, mas, durante a semana e as filmagens, agiam quase como se não se conhecessem.


“Se Harrison era incapaz de perceber que eu tinha sentimentos por ele (pelo menos cinco, mas às vezes até sete) então ele não era tão inteligente como eu pensava que ele era – como eu sabia que ele era. Por isso eu amei-o e ele permitiu. Este é o cálculo mas próximo que posso formar quatro décadas depois”, escreve Fisher.


Os escritos encontrados no seu diário de adolescente mostram uma Fisher muitas vezes sarcástica e irónica mas também angustiada, numa altura em que era submetida a terapia pela bipolaridade que lhe tinha sido diagnosticada.


A ironia e sarcasmo está até presente quando a actriz descreve Harrison: “Apenas bonito demais. Não. Não. Mais do que isso. Ele parecia que podia liderar a carga na batalha, tomar a colina, vencer o duelo, ser o líder do mundo sem glúten, tudo sem uma pinga de suor”. Mas também o recorda como alguém distante emocionalmente, monossilábico e um pouco aborrecido.


Para além do relacionamento com Harrison Ford, o mais abordado tema do livro, Fisher conta ainda que a trilogia Star Wars passou a fazer parte de si mesma: “Star Wars era e é o meu trabalho. Não me podem despedir e nunca vou ser capaz de me demitir”.


Mas no penúltimo capítulo da obra, a actriz ataca as convenções de Star Wars onde os fãs se mascaram da sua personagem favorita, perseguem autógrafos e pagam por tudo isso: “Fui apanhada viva nessa barafunda vezes suficientes para desejar estar morta”.





Carrie Fisher at her home in New York City in 1977.

Carrie Fisher and daughter Billie Lourd




Nome completo Carrie Frances Fisher

Nascimento 21 de outubro de 1956



Morte 27 de dezembro de 2016 (60 anos)

Ocupação Atriz, escritora e roteirista
Atividade 19732016
Cônjuge Paul Simon (1983-1984)

Carrie Frances Fisher
(Los Angeles, 21 de outubro de 1956- Los Angeles, 27 de dezembro de 2016) foi uma atriz, escritora e roteirista americana, mais conhecida por ter interpretado a Princesa Leia na trilogia clássica Star Warse em Star Wars: O Despertar da Força (2015).


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Vida pessoal

Carrie Frances Fisher nasceu em Beverly Hills, Califórnia, filha do cantor Eddie Fisher e da atriz Debbie Reynolds.Seu pai era judeu, filho de imigrantes russos e sua mãe, educada na igreja, era filha de escoceses e irlandeses, além de americanos. Seu irmão mais novo é o ator e produtor Todd Fisher e suas meio-irmãs são as atrizes Joely Fisher e Tricia Leigh Fisher.

Quando Carrie tinha apenas dois anos de idade, seus pais se separaram. Seu pai acabou se casando com Elizabeth Taylor. No ano seguinte, sua mãe se casou com Harry Karl, dono de uma rede de lojas de sapatos.

Era filha do cantor Eddie Fisher e da atriz Debbie Reynolds. Era irmã por parte de pai da atriz Joely Fisher, a Joy do seriado 'Til Death. Casou-se com o cantor Paul Simon em 1983. A relação durou poucos meses; em 1984, já haviam se separado. Teve uma filha chamada Billie Catherine, com o agente Bryan Lourd, nascida em 1992.

Em 1973, Carrie se matriculou na London's Central School of Speech and Drama, onde estudou por dezoito meses. Em 1978, foi aceita no Sarah Lawrence College, onde planejava cursar Artes. Entretanto, antes de se formar, ela largou o curso por incompatibilidade de agenda com as filmagens de Star Wars.




Carrie era uma leitora ávida, desde criança, apelidada pela família como "rato de biblioteca"[. Passou a infância lendo literatura clássica e escrevendo poesias. Estudou no Beverly Hills High School até os 15 anos, quando debutou como cantora na Broadway com o musical Irene, em 1973.

Em sua autobiografia de 2016, The Princess Diarist, Carrie revelou seu caso de três meses com o ator Harrison Ford, enquanto ele ainda era casado, nas filmagens de Star Wars em 1976.

Carrie teve outros relacionamentos depois do divórcio, como com James Blunt. Em 26 de fevereiro de 2005, o lobista R. Gregory "Greg" Stevens, foi encontrado morto na casa de Carrie Fischer, na Califórnia, devido à uma não diagnosticada doença cardíaca, combinada com uso de cocaína e oxicodona.


Saúde mental

Carrie falou abertamente sobre seu diagnóstico de transtorno bipolar e seu vício em cocaína e em analgésicos

Carrie com Wim Wenders em 1978

Carrie Fisher, Mark Hamill & Harrison Fordna ComicCon de San Diego, em 2015



































Filme antifascista?

A Guerra das Estrelas chegou a Portugal três anos e oito meses depois da revolução de 1974 e há quem dê uma camada suplementar a esta história de uma rebelião contra o Império. “O antifascismo nas galáxias” é o título do texto de Fernando Cabral Martins no Expresso de 10 de Dezembro de 1977. “De acrescentar um pormenor curioso. Neste mundo de fantasia vive-se um significativamente esquemático conflito político que opõe os amantes da liberdade aos servos do Império Galático”, escreve Cabral Martins. Vaz Pereira, n’ A Capital, faz uma referência semelhante: “A história é esquemática, branco contra preto, bons contra maus, homens livres contra ditadores. Os rebeldes acreditam que que a democracia vencerá […] ao passo que o Império pensa que poderá esmagar toda a resistência.”


Carrie Fisher

Carrie Fisher and Debbie Reynolds

Carrie Fisher, Debbie Reynolds, and Todd Fisher






Carrie Fisher in Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança (1977)




1975 Shampoo Lorna Karpf 





1980 The Empire Strikes Back Princess Leia Organa 

1980 The Blues Brothers Mystery Woman 

1981 Under the Rainbow Annie Clark 

1983 Return of the Jedi Princess Leia Organa 

1984 Garbo Talks Lisa Rolfe 



1986 Hollywood Vice Squad Betty Melton 

1987 Amazon Women on the Moon Mary Brown Segment: "Reckless Youth"

1987 The Time Guardian Petra 

1988 Appointment with Death Nadine Boynton 

1989 The 'Burbs Carol Peterson 

1989 Loverboy Monica Delancy 

1989 She's Back Beatrice 


1990 Sweet Revenge Linda 

1990 Sibling Rivalry Iris Turner-Hunter 

1991 Drop Dead Fred Janie 

1991 Soapdish Betsy Faye Sharon 

1991 Hook Woman kissing on bridge Uncredited

1992 This Is My Life Claudia Curtis 


2000 Scream 3 Bianca 

2000 Lisa Picard Is Famous Herself 

2001 Heartbreakers Ms. Surpin 


2002 A Midsummer Night's Rave Mia's Mom 

2003 Charlie's Angels: Full Throttle Mother Superior 

2003 Wonderland Sally Hansen 

2004 Stateside Mrs. Dubois 

2005 Undiscovered Carrie 

2007 Suffering Man's Charity Cameo role 

2007 Cougar Club Glady Goodbey 

2008 The Women Bailey Smith 

2009 Fanboys Doctor 

2009 White Lightnin' Cilla 

2009 Sorority Row Mrs. Crenshaw 

2010 Wishful Drinking Herself Documentary

2014 Maps to the Stars Herself 

2015 Star Wars: The Force Awakens General Leia Organa 


2017 Star Wars: Episode VIII General Leia Organa Post-production; posthumous release


Carrie Fisher in Os Desvairados (1991)

Carrie Fisher
October 21, 1956—December 27, 2016


Carrie Fisher, 1973.

Carrie Fisher, 1973.




Carrie Fisher, Shirley MacLaine, and Meryl Streep in Recordações de Hollywood (1990)

Carrie Fisher in On the Lot (2007)

Carrie Fisher, Courtney Gains, and Wendy Schaal in S.O.S. - Vizinhos ao Ataque (1989)

Carrie Fisher, Lupita Nyong'o, and Gwendoline Christie in Conan (2010)

Carrie Fisher 1978

Carrie Fisher 1961

Debbie Reynolds with Pat Boone and daughter Carrie Fisher circa 1965

Debbie Reynolds and daughter Carrie Fisher at home

Debbie Reynolds with her son, Todd, and daughter, Carrie, at home, 1960.

Debbie Reynolds and daughter Carrie Fisher

Carrie Fisher and Billie Lourd at an event for Star Wars: O Despertar da Força (2015) 





Harrison Ford & Carrie Fisher!

Leonard Nimoy & Carrie Fisher


Mark, Carrie, Harrison and Peter








Imagens e textos (tradução automática), colhidos da internet

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