1978 Diane Keaton

Diane Keaton revelada

TIAGO BARTOLOMEU COSTA  02/12/2011


Houve uma altura em que todas as mulheres queriam ser como Annie Hall e todos os homens se diziam apaixonados por Diane Keaton. Foi no fim dos anos 1970, estavam os "baby-boomers" na idade certa, o cinema norte-americano em processo de renovação, o romance finalmente dentro da equação do sexo sem fronteiras e a filosofia nas ruas. "Annie Hall", o filme de Woody Allen, foi a pedra de toque para a construção de um novo ícone feminino, a última das heroínas antes de as mulheres pegarem em armas como os homens e começarem a matar "aliens". Agora, a maravilhosa e elíptica vida de Miss Diane Hall, ou de Miss Annie Keaton, surge em livro para nos contar como ela foi, ao longo dos anos, ao mesmo tempo a actriz, a personagem, a namorada de Allen, Warren Beatty e Al Pacino - "nenhum me amou o suficiente para me propor casamento" - e a filha. "Then Again", a biografia que saiu este mês, é, diz o "Los Angeles Times", "o diário de uma mulher normal que se tornou, de repente, numa estrela de cinema, que não acreditou no que lhe aconteceu, mas aconteceu, que não sabe o que faz sentido, mas que teve a insolência [ou a audácia, conforme a leitura que se queira fazer do termo hebraico "chutzpah"] de achar que era suficientemente interessante para ser lido".
Woody Allen achou sempre que a vida de Keaton o era e por isso escreveu-lhe uma carta: "Vou enriquecer à custa da tua família". O filme foi o sucesso que se sabe e parte da vida da mãe de Diane, história à qual a actriz agora regressa para recordar a sua vida, o seu cinema, as suas neuroses, a sua bulimia, enfim, a vida de uma rapariga que foi o sonho da América. It"s la-di-da time all over again.









































Diane Keaton homenageada em Nova Iorque


A actriz Diane Keaton foi homenageada, na segunda-feira à noite, pela Sociedade Cinematográfica do Lincoln Center, em Nova Iorque, pelos seus 37 anos de carreira.
A homenagem surge numa altura em que a actriz, com 61 anos de idade, ainda mostra grande vitalidade profissional, com três filmes no horizonte imediato. A actriz foi homenageada com uma edição de imagens das suas actuações ao longo dos anos e respondeu com um discurso de agradecimento de dez minutos, em que reconheceu o seu nervosismo por estar naquele palco.



























































Diane Keaton e Jack Nicholson nus e ao vivo em Berlim


Diane Keaton não quer saber (Diane Keaton pode ser mesmo difícil...) disso da "Nova Hollywood". "É isso que me estão a perguntar? Não contem comigo. Não sei". Jack Nicholson ajuda: "Sabes, isto é um festival de cinema, e há uma retrospectiva..." (ver texto ao lado) sobre o cinema americano dos anos 70, a época que fez de Diane e Jack um pedaço do nosso imaginário - Diane tem que se lembrar, porque até ganhou um Óscar, em 1977, por "Annie Hall", tem que se lembrar de "O Padrinho"... Jack insiste: "Havia William Wyler e os outros, eram a Velha Hollywood; nós fomos a Nova Hollywood - agora, somos a Nova-Velha Hollywood". Diane: "Não sei o que dizer, perguntem ao Jack".Eis Jack, que devia ter uma conferência de imprensa inteira para falar sobre o assunto: "Naquela altura, queríamos uma obra-prima todas as semanas, e tínhamos". E depois, estimulado (tanto quanto a sua pose de lagarto ao sol o permite) pelas perguntas, evocou Polanski, Kubrick, "Missouri Breaks" ("Duelo no Missouri", 1976), de Arthur Penn, que fez com Marlon Brando, em que Brando escolheu como guarda-roupa para a sua personagem um vestido "e decidiu viver nos bosques para ficar sempre na personagem, e andava de cavalo e aos tiros" (devia haver mais tempo para falar com Jack sobre cinema, porque vejam só com quem é que ele gostaria de ter trabalhado: com Emil Jannings, Marlene Dietrich, Lana Turner, Gene Tierney - e desconfia-se que foi por cortesia que acrescentou "mas actualmente há actores muito bons, Nicole Kidman, Nic Cage, Bill Murray, Charlize Theron...").Harry e EricaJack e Diane foram recebidos sexta-feira à noite em Berlim por uma plateia de jornalistas a bater palmas e aos gritos. Ele tem 63 anos, ela tem 57 (olhando para os números é que se percebe que já vêm de outro tempo, parece que estiveram sempre aqui). No filme que vieram apresentar, fora de competição, "Something's Got to Give" ("Alguém Tem que Ceder", com estreia portuguesa marcada para 26 de Fevereiro), de Nancy Meyers, ele faz de Harry, um homem de negócios podre de rico que só sai com mulheres abaixo dos 30 (sim, com a ajuda do Viagra). Ela é a mãe da mais recente conquista de Harry, chama-se Erica, é divorciada e dramaturga de sucesso - as elegantes camisolas que usa, gola alta mesmo no Verão, mostram que o sexo ficou algures para trás, com o divórcio, e antes até da menopausa.Sem denunciar muita coisa, pode dizer-se que Harry e Erica vão odiar-se e amar-se, mas antes vai haver ataques de coração, Erica (e nós) vai ver o rabo de Harry, Harry (e nós) vai ver Erica toda nua (e Erica vai ser disputada por um homem mais novo, que tem a cara e o corpo de Keanu Reeves). E ouve-se Charles Trenet e "They'll always have Paris" como em "Casablanca" - um toque q.b. de crepúsculo; reparem que ele tem 63 anos e ela 57. É uma comédia romântica, Nicholson já se escondeu assim por trás de óculos escuros em outros filmes, como "Laços de Ternura" ou "As Good as it Gets". Mas Diane... há muito que não a víamos assim, e se calhar só agora, que tem 57 anos, é que pode ser vista assim. Por exemplo, nua. Numa comédia romântica que, sem pisar demasiado nos clichés, nem exagera na "screwball" nem arranja uma doença para matar uma personagem e fazer os espectadores sentirem culpa pelo riso, toca-se, de forma serena (crepuscular, outra vez, é a palavra), na velhice, na morte, no sexo, na decadência do corpo. A disparidade de registos e tempos é matéria de emoção. Ele, Jack, lento, conhecendo os cantos à casa. Ela, Diane, rápida, nevrótica, passando do burlesco às lágrimas, cumprindo o arco da dignidade de um "clown". Como na conferência de imprensa, em que Jack arrastava as frases, Diane bebia as perguntas, respondia de um trago ("Claro que adorei despir-me, era uma cena que introduziu a ideia de intimidade, e era divertida às minhas custas"), mas logo a seguir descartava respostas, até que, finalmente, quebrou. As lágrimas vieram-lhe aos olhos, a voz falhou."É difícil estar aqui. Não estou habituada. Vocês são tantos. É tão estranho. E fazem perguntas tão estranhas". Jack Nicholson amparou-lhe a saída.Antes, à pergunta "tem medo de envelhecer?", ela respondeu: "Ser velho é melhor do que morrer, certo? Claro que é um problema envelhecer, estamos mais pertos da morte. Mas estamos vivos!".

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