Isabelle Huppert


Isabelle Huppert, action woman

Duas dezenas de títulos, no LEFFEST, para experimentar a autoconfiança e a serenidade de uma actriz. Que diz que representa cada vez menos, deixa-se levar pelos filmes. “Não se explica, faz-se, acontece.” Isabelle Huppert, action woman.
VASCO CÂMARA 20 de Novembro de 2017



La Dentellière/Uma Rapariga Frágil convida-nos a olhar para “uma dessas almas que não dá sinais alguns, mas que é preciso pacientemente interrogar”. É uma inscrição final no filme de Claude Goretta. Explicita evidentemente o que realizador fez, pintor atento ao modelo: o retrato de uma rapariga.

La Dentellière é a história de um primeiro amor. É uma história de violência. Entre esse filme de 1977 e Elle, de Paul Verhoeven, em 2016, o título mais antigo e o mais recente dos 25 com que o Lisbon and Sintra Film Festival está a homenagear Isabelle Huppert, há varias vezes uma rapariga, uma mulher, que não explicita sinais. Vive no seu mundo, isolado da moral, da lei. Essa opacidade interpela-nos com violência.

Entre La Dentellière e Elle há dois prémios de interpretação em Cannes, por Violette Nozière (Claude Chabrol, 1979) e A Pianista (Michael Haneke, 2001), mas sobretudo de um a outro percorre-se uma aventura de depuração: Isabelle Huppert, nascida Isabelle Ann Huppert em 1953, diz que cada vez menos representa, que se deixa sobretudo transportar pela mise en scène, em estado de alerta mas também de embriaguez. Pode ter chegado a um ponto, que só pode ser de confiança e serenidade, em que um filme é a descoberta de uma personagem sobre a qual nada sabe — logo, estamos juntos nisto, espectadores e ela, a descobrir em simultâneo —, é um documentário sobre o seu encontro com um realizador e sobre a forma como reage a uma câmara. "Não se explica, faz-se, acontece", diz a action woman. Que é uma Woman of Many Faces na exposição, que a actriz inaugurou no festival, de fotografias, retratos-vídeo e vídeo-instalação de gente — Cartier-Bresson, Nan Goldin, Robert Frank, Helmut Newton, Cindy Sherman, Robert Wilson, Antoine d’Agata, Raymond Depardon, Robert Doisneau, Josef Koudelka, Annie Leibovitz ou Herb Ritts — que interrogou pacientemente esse rosto.

Jean-Luc Gordard disse que Isabelle Huppert é uma actriz que pensa...
[risos] Foi gentil da parte dele...


Já sobre as suas personagens, são mulheres que agem, mas permanecem insondáveis nas suas razões. Não há sinais a justificar as acções — podemos sentir isso quer em La Dentellière/Uma Rapariga Frágil [Monumental Sala 3, dom., 26, 14h], quer em Ela[Amoreiras, Sala VIP 3, 3.ª, 21, 19h30], o título mais antigo e o título mais recente desta retrospectiva.
Mas espero que os espectadores as compreendam, senão torna-se inquietante...

Os espectadores descobrem-nas. Se calhar ao mesmo tempo que as personagens se descobrem a si próprias...
Sim, isso é verdade. Tento contar o que se pode passar na caminhada de uma pessoa. Estar o mais perto possível da vida — tão simples quanto isso. Muitas vezes, o cinema, a ficção, a literatura criam de maneira mentirosa, falsa, mostram e descrevem comportamentos nem sempre próximos da realidade. Eu própria não tenho muitas explicações. Deixo-me, intuitivamente, ser levada por alguma coisa, pela presença da realidade.

Vários filmes na retrospectiva fazem sobressair a presença da infância nas suas personagens... Por exemplo, Violette Nozière, A Pianista, Ela, mesmo Uma Rapariga Frágil.
Sim...

Poderíamos pensar que isso permite nexos de causalidade, explicações. Na verdade, não resolve nada...
... não explica, mas não é por isso que não compreendemos as personagens.


Outro filme, A Cerimónia [Claude Chabrol, 1977; Monumental Sala 3, sáb., 25, 22h]: à medida que avança, a sua personagem e a de Sandrine Bonnaire vão adquirindo traços mais infantis, o que traz para o filme um suplemento de jogo.
Sim, mas também para isso não tenho explicação. Talvez seja a faculdade imediata que temos de nos divertirmos com as situações — embora a infância não seja só isso —, talvez uma certa ingenuidade também, uma candura. Isso pode dar ilusão da infância.

Essa cumplicidade existiu entre Bonnaire e a Isabelle [interpretam uma empregada doméstica e uma carteira que assassinam uma família] na rodagem ou foi fabricada?
Tudo é fabricado e tudo existe. É a magia do cinema e a força de um argumento, dá-nos liberdade. Mas é o realizador que cria isso. Não cai do céu.

É trabalhado ou acontece?
Nada é trabalhado, acontece.

Entramos agora naquilo que já diz ser o seu lema: que representa cada vez menos, que sobretudo reage.
Sim. Sabe, Bob Wilson [encenador] defende que a representação, o teatro ou o que quer que seja o espectáculo, não é outra coisa a não ser improvisação. No sentido profundo do termo — não aquilo que as pessoas imaginam de forma caricatural. As pessoas perguntam sempre: “Aquilo foi improvisado ou não?” Podemos responder que nada foi improvisado e que tudo foi improvisado. Porque, por definição, o jogo é improvisação, é uma coisa que se inventa à medida que o fazemos. Não quer dizer que não seja preparado antes. Mas tudo surge.


Tomou consciência disso com o seu trabalho, ou já estava em si?
Acho que sempre esteve em mim.

Mas deve haver encontros que potenciam as coisas. Passou de As Irmãs Bronté [André Téchiné, 1979; Monumental Sala 2, dom., 26, 14h], de Téchiné, para o Godard de Salve-se Quem Puder [1980; Monumental Sala 3, 6.ª, 24, 16h45], um parece contradizer o outro: a totalidade, redonda, coisa completa, do romanesco, num caso, no outro filme e personagens que existem como indícios — temos de os encontrar fora do filme.
Não deixa de ser verdade acontecer isso em todos os filmes, mas é de facto particular em Godard. É Godard, é claro, mas não tive a sensação de estar a fazer algo completamente radical. Colocamos em jogo, julgo, as mesmas coisas, qualquer que seja o filme, qualquer que seja o realizador. Colocamo-nos em jogo. Tudo, todos os filmes, têm que ver comigo. Não faço hierarquias. Não posso dizer que o filme de Godard tenha sido uma revelação face a uma aventura [o filme de Téchiné] difícil. Foram experiências diferentes.

No momento em que é dito a Violette Nozière que vai ser guilhotinada [condenada à morte, aos 18 anos, por parricídio, em 1934, pena que haveria de ser comutada por trabalhos forçados perpétuos até ser reduzida e Violette ser libertada, em 1945], ela leva a mão ao pescoço: perdeu o fio. É um momento incrível, diz tudo sobre a personagem: o social, o político, o moral estão ao lado, Violette está no seu mundo. Isso, sim, tem que ver consigo, não acha? É uma definição da “personagem de Isabelle Huppert”...
Sim, talvez seja eu que induza isso, mas é um facto que são os filmes que me chegam e eles propõem-me isso também. Todas essas personagens de que tem falado são percursos individuais em trajectos de resistência, em resposta a uma situação de conflito em redor — situação à qual as personagens resistem de forma diferente, se pensarmos em Violette Nozière ou em Uma Questão de Mulheres [Claude Chabrol, 1988; Monumental Sala 2, 3.ª, 21, 16h45; Monumental Sala 3, Sáb., 25, 16h45] São personagens que afirmam qualquer coisa de singular sobre si próprias. Mas nunca de maneira militante. Isso talvez as caracterize: afirmam-se de forma muito solitária e individualista. O que não deixa de ser, mesmo tratando-se de destinos individuais, uma questão universal.

Violette Nozière, o primeiro prémio de interpretação em Cannes

Na rodagem de Loulou [Maurice Pialat, 1981; Monumental Sala 1, 5.ª, 23, 14h] aprendia a patinar para as cenas de As Portas do Céu [Michael Cimino, 1980; Centro Cultural Olga Cadaval, 4.ª, 22, 16h; Monumental Sala 1, sáb., 25, 15h; Centro Cultural Olga Cadaval, dom., 26, às 15h]. Foi o encontro com Michael Cimino, que a descobriu quando em Paris entrou numa sessão de Violette Nozière, foi o encontro com a América. Depois viriam Hal Hartley, Wes Anderson, David O. Russell. Que América era essa, nesses oito meses de rodagem no Montana, que América é a que conheceu depois, que América é a que lhe deu o Globo de Ouro?
Sobre As Portas do Céu, e sobre essa América, o tempo de fabricação do filme foi muito diferente do tempo de promoção. Foram aventuras diferentes. Mas é o mesmo continente, o continente do cinema, que é muito, muito vasto. Não há uma definição unívoca, seria sempre redutor. O que podemos dizer sobre essa América do cinema é falar sobre a sua força, a sua modernidade. É verdade que As Portas do Céu pagou muito caro a sua modernidade, foi essa modernidade que o excluiu.

E com ele todo um cinema terminou. Era previsível isso na rodagem?
O cinema está sempre a acabar. Podemos dizer que de cada vez que surge uma obra grande, ela faz figura de testamento. Mas nada impede que a seguir haja um renascimento. Há sempre algo de crepuscular numa grande obra. E foi esse o caso de As Portas do Céu. Na rodagem sentíamos que fazíamos algo de excepcional, mas não sabíamos em que é que ia ser excepcional. Estávamos cheios de esperança. Achámos que íamos conquistar toda a gente. O que aconteceu é que essa coisa excepcional foi rejeitada.

Foi irónico ter recebido o Globo de Ouro em Hollywood por um papel que as actrizes americanas não quiseram fazer...?
Não quero entrar nessa polémica, deixo para Paul Verhoeven. Há actrizes audaciosas na América: Julianne Moore, por exemplo, em Map of the Stars, Nicole Kidman em muitos filmes que fez e numa série que se chama Big Little Lies...

Estava a falar de As Portas do Céu e senti uma resistência em ceder à nostalgia. Foi flagrante, na estreia de Valley of Love [Guillaume Nicloux, 2015; Amoreiras Sala VIP 3, 5.ª, 23, 19h30], a forma como ignorou qualquer tentativa de ligação emocional sobre o seu reencontro com Gerard Depardieu três décadas depois de Loulou.
Sim, sim, tornou-se penoso para mim a relação que se quis fazer com Loulou, como se o encontro com Depardieu tivesse sido um acontecimento de importância planetária...

Michael Cimino escolheu Isabelle para As Portas do Céu depois de a ver numa cena de Violette Nozière


Para o espectador talvez tenha sido...
[risos] Talvez. É claro que foi um belo encontro. Mas tive a impressão às tantas de que se corria o risco de obliterar o que pudesse estar presente em Valley of Love ou o que pudesse haver de novo em Valley of Love.

Quando termina uma rodagem o que fica dela? Sabe-se que ficam roupas, que guarda...
E que nunca visto depois. Guarda-se por fetichismo. O guarda-roupa pertence à personagem, ao filme, é muito difícil voltar a vesti-lo. Vestir algo que pertenceu a uma personagem que interpretamos é estranho.

É uma maneira de guardar um laço material. Mas quando a rodagem acaba, acaba. Não posso pensar que vai continuar eternamente.

Falámos ao telefone no ano passado, decorria a rodagem de Madame Hyde, de Serge Bozon, quando Ela foi lançado em Portugal. Já devia ter passado um ano desde as filmagens com Verhoeven, mas nessa conversa, admitiu, estava a começar a pensar na personagem que tinha feito... Ou seja, os laços mantêm-se.
É verdade, é muito tempo depois da rodagem, e à força de falar na personagem, que acabamos por construir aquilo que fazemos e até acabamos por fazer uma construção diferente daquilo que fazemos. Até aí não há recuo. Há sempre algo que nos escapa quando rodamos. Depois, quando lemos ou ouvimos um comentário ao que fizemos, há algo que se reconstitui. E aí dizemos: “Ah, é isso!” Sabíamo-lo, mas inconscientemente.

Só nessa altura, então, depois do filme acabado, é que fala com a personagem, é que tem consciência dela e do que fez?
Seria incapaz de, antes da rodagem, dizer sobre a personagem aquilo que digo sobre ela depois da rodagem. Antes, é tudo intuitivo. Não se explica, faz-se, acontece.
Seria incapaz de, antes da rodagem, dizer sobre a personagem aquilo que digo sobre ela depois da rodagem. Antes, é tudo intuitivo. Não se explica, faz-se, acontece.

Ela é, de facto, um momento decisivo. Parece que estamos todos, a Isabelle, Verhoeven e o espectador, sintonizados a ver acontecer.
É um filme que fiz sem me colocar uma única questão. Pode ser difícil de entender isso. De forma geral coloco-me sempre muito poucas questões sobre o que tenho de fazer. Mas ali ainda coloquei menos. Tendo em conta o papel, a complexidade, a multiplicidade de acontecimentos, poderíamos pensar... não, francamente, cheguei à rodagem e filmámos, eu e Paul Verhoeven raramente trocámos uma palavra, ao fim de 13 semanas dissemos “corta”, acabou. Foi assim que se fez. É assim que me acontece quase sempre, embora às vezes possamos conversar sobre uma coisa ou outra. Mas durante Ela, nada... É claro que antes houve a definição do guarda-roupa, trabalhámos as cenas de violência – era necessário, não podíamos permitir que se tornassem perigosas, mas foi mesmo só por segurança, para que se passasse da melhor forma possível. E isto porquê? Porque é um papel e um realizador suficientemente fortes e inteligentes para que não tivesse sido preciso mais nada. É o filme que toma conta das coisas.

É a sua natureza que entra na rodagem.
É sempre assim, o que quer que se faça.

Mas quando tem de existir um trabalho específico sobre o corpo? Por exemplo, Violette Nozière existiu...
Sim, existiu, mas não como existiram Marlene Dietrich ou Greta Garbo. Existiu de forma bastante fantasmática. Tornou-se um símbolo, foi celebrada pelos surrealistas. Mas fisicamente não estava no imaginário colectivo, não correspondia a uma imagem precisa. Era muito fácil de a representar.

E a sequência final de A Pianista, quando espeta a faca. Há um rictus...
Fizemos um número incalculável de takes, 45 acho, era muito importante para Michael Haneke porque era uma coisa que Elfriede Jelinek descreve no livro de forma muito precisa. Ela fala num rictus animal, como se o rosto se transformasse num grito de cavalo. Foi isso que Michael tentava encontrar, essa animalidade. Tornou-se divertido. Toda a gente falou disso, dessa expressão. O que significa que não trabalhámos em vão, produziu um efeito bastante considerável.

Ela, de Paul Verhoeven - uma colaboração que realizador e actriz pretendem continuar

Para si, os encontros com os realizadores são mais decisivos do que os filmes que deles resultam...
Evidentemente

A Pianista, segundo prémio de interpretação em Cannes

Mesmo se o filme não funciona...
Sim.

Foi isso que a levou a trabalhar com Brillante Mendoza nas Filipinasem 2012, Cativos [Monumental Sala 2, 4.ª, 22, 14h].
Sim, é sempre extraordinário encontrar e atravessar o universo de alguém. Tanto melhor se o filme for um sucesso, mas... A experiência no filme de Brillante, que não foi um sucesso e do qual as pessoas talvez nem se lembrem, o que é injusto, foi extraordinária. O mundo e a linguagem dele são completamente livres, como se inventasse o cinema no momento em que o faz. Foi genial, uma experiência tão difícil fisicamente que não teria a certeza hoje de a querer repetir.

Era presidente do júri de Cannes quando Mendoza mostrou Kinatay(2009), filme violentíssimo que provocou reacções violentas também. Deu-lhe o prémio de realização. Pensou: quero trabalhar com este cineasta?
Kinatay era chocante, de facto. Não senti esse desejo logo que vi Kinatay. Mas conhecemo-nos no pós-palmarés, encontrámo-nos por acaso em São Paulo, ele apresentava lá um filme, eu interpretava uma peça, e concluímos que queríamos trabalhar juntos. É um cineasta importante que conta coisas importantes — cada filme torna-se um documento político, cultural. As Filipinas estão longe de nós, ele conta o seu país, a vida, a violência, era interessante mergulhar nesse mundo.

No final de La Dentellière, um texto diz sobre a personagem que “é uma dessas almas que não dá sinais alguns, mas que é preciso pacientemente interrogar, sobre as quais é preciso saber olhar”...
... na epígrafe do romance de Pascal Lainé havia uma bela frase de Musil, tirada de uma novela, sobre essa ideia de um ser como um floco de neve, um grão de areia no universo, uma partícula invisível que é preciso ter o cuidado de ir encontrar...


Voltamos ao início da conversa sobre as suas personagens, já tudo estava aqui. Já agora, aproveitando a “invisibilidade”: ouvi-a uma vez contar que quando anda de autocarro em Paris ninguém a reconhece.
É verdade, particularmente no autocarro.

La Dentellière, história de um primeiro amor, uma história de violência


É uma qualidade, isso de se tornar anónima...
Penso que sim, tomo isso dessa forma.

Num filme de Ursula Meier, Home, a Isabelle está lá, não está anónima nem invisível, mas revela a capacidade de “desaparecer”, de evitar destacar-se do grupo, de aceitar isso e colaborar com isso.
Home é o retrato de uma família, com arquétipos, o pai, a mãe, os filhos. Tudo o que faço tem de estar em correspondência absoluta com o filme, com o que ele pede. Não é nada de excepcional, é o filme que impõe, não sou aliás eu a conseguir isso, é Ursula Meier.

Com quem foram os seus encontros cinematográficos mais determinantes?
Michael Haneke, Claude Chabrol, Benoît Jacquot, com quem acabei de rodar Eva [baseado no romance de James Hardley Chase, já adaptado ao cinema por Joseph Losey, em 1962, com Jeanne Moreau]. Tive muita sorte. Trabalhei sempre com grandes cineastas, gente de universos fortes. Com esses trabalhei muitas vezes. Mas recentemente foi determinante o encontro com Paul Verhoeven.

Vai prosseguir?
Espero. Queremos, os dois. Falta encontrar material à altura de Ela



Isabelle Huppert and Julianne Moore

Pedro Almodovar and Isabelle Huppert

Isabelle Huppert and Louis Garrel in “Ma Mère” (2004)










































































































































































Isabelle Ann Huppert (Paris, 16 de março de 1953) é uma actriz francesa, aclamada como uma das melhores da história do cinema francês e europeu.Vencedora de prémios como César, BAFTA e em Cannes, além de receber indicações a inúmeros prémios críticos e de academias, tal como a vitória do Globo de Ouro de Melhor Actriz - Drama em 2017, pelo papel de Michèle LeBlanc no filme Elle, que também lhe rendeu a primeira indicação ao Oscar na categoria de Melhor Actriz.

Biografia

Isabelle nasceu em Paris, filha do engenheiro Raymond Huppert e da professora de inglês Annick Huppert. Huppert é considerada uma das melhores actrizes do cinema francês de sua geração. Sua extensa filmografia é marcada por actuações inesquecíveis e colaborações com grandes directores.

Estudou arte dramática nos conservatórios de Versalhes e Paris. No final da década de 1960 estreia-se no teatro e nos anos 1970 fez pequenos papéis no cinema como por exemplo Faustine et le bel été (1971), Bar de la fourche, Le (1972). O fracasso do filme americano "Nas portas do Céu" rompe com o sucesso em Hollywood e a faz voltar para Europa. Durante os anos 1980 e 90 trabalhou num ritmo frenético sendo dirigida por famosos directores como Jean-Luc Godard, Marco Ferreri, Claude Chabrol e Andrzej Wajda, entre outros.

Em 2001 protagonizou " A Pianista", terrível história sobre uma professora de piano dominada pela mãe e com tendências sado-masoquistas. Porém em 2002 muda a história ao juntar-se com sete actrizes francesas em "8 mulheres" dirigido por François Ozon. Em 2004 realizou "Estranhas aparências" juntamente com Dustin Hoffman e Jude Law. Em 2005 foi premiada em Berlim pelo filme Gabrielle. É casada, desde 1982, com Ronald Chammah com quem tem três filhos: Lolita, nascida em 1983, Lorenzo, nascido em 1986, e Angelo, nascido em 1997. Isabelle é irmã da escritora e directora Caroline Huppert e da actriz, escritora e directora Elizabeth Huppert.

Nome completo 

Isabelle Ann Huppert

Nascimento 16 de março de 1953 (64 anos)


Nacionalidade francesa

Ocupação Actriz

Cônjuge Ronald Chammah(1982 - presente)



2017 – Elle



1996 – La Cérémonie

2016 – Elle



1978 – The Lacemaker




2001 – La Pianiste




1995 – La Cérémonie



Director Claude Chabrol with Isabelle Huppert on the set of L’Ivresse du Pouvoir

Elizabeth Debicki, Cate Blanchett and Isabelle Huppert, photo for The Maids.

Isabelle Huppert, Marie-France Pisier & Isabelle Adjani photographed by Christian Simonpiétri, 1979.

Juliette Binoche, Émilie Dequenne and Isabelle Huppert | Cannes Film Festival 2017

Isabelle Huppert and Robin Wright in Chanel Haute Couture

Catherine Deneuve and Isabelle Huppert

Isabelle Huppert photographed by Herb Ritts, 1980.

Jessica Chastain, Isabelle Huppert and Mélita Toscan du Plantier attend the Cannes French Party Dinner on May 18, 2017

sabelle Huppert and Nicole Kidman 

Emma Stone, Isabelle Huppert, Annette Bening and Naomie Harris for THRMagazine.

Isabelle Huppert, Hotel Carlton, 1976

Isabelle Huppert photographed by Sandro Baebler

Isabelle Huppert photographed by Jadran Lazic at the 1984 Cannes Film Festival

Isabelle Huppert, photographed by Viki Forshee for Flaunt, 2013.

Isabelle Huppert and Jessica Chastain, photographed by Ruven Afanador for The Hollywood Reporter, May 10, 2017.

Rachel Brosnahan and Isabelle Huppert, at the 68th annual Cannes Film Festival, May 18, 2015.

Emily Blunt, Mélanie Laurent, Francisco Costa, Isabelle Huppert and Rachel Weisz, at the 68th Cannes Film Festival, May 18, 2015.

Gérard Depardieu and Isabelle Huppert, at the 68th annual Cannes Film Festival, May 22, 2015.

Isabelle Huppert, photographed by Viki Forshee for Flaunt, 2013.

Elizabeth Debicki, Cate Blanchett and Isabelle Huppert, photo for The Maids.






















































 


















































































































Carreira

Em 1994, Huppert colaborou com o director americano Hal Hartley no filme Amateur, uma das poucas performances para o idioma Inglês desde Heaven's Gate.Também na década de 90 apareceu nos filmes La Cérémonie (1995) ,Rien ne va plus (1997), e Merci pour le chocolat.Também na longa metragem de Michael Haneke intitulado A Pianista, que é baseado num romance do mesmo nome escrito pelo austríaco Elfriede Jelinek. Neste filme, interpretou uma professora de piano chamada Erika Kohut, que se envolve com um jovem pianista. Considerado como uma das suas voltas mais impressionantes, o desempenho rendeu o prémio de melhor actriz no Festival de Cannes. Huppert é também uma actriz de teatro aclamado, recebendo seis indicações ao Molière Award.

Isabelle Huppert é um dos Presidente do Júri no Festival de Cinema de Cannes, além disso Isabelle foi membra do Júri e Mestre de Cerimónia em anos anteriores, bem como ganhar o prémio de Melhor Actriz por duas vezes. Como presidente, ela e seu júri concedeu a Palme d'Or para o filme A Fita Branca ao austríaco Michael Haneke. Huppert estrelou no final da temporada 11 de Law & Order: Special Victims Unit que foi ao ar em 19 de Maio de 2010. Em setembro de 2010, Philippine Daily Inquirer anunciou que havia sido escalada para o filme Captive pelo premiado director filipino Brillante Mendoza. Em 2012, estrelou em dois filmes que concorreram para a Palme d'Or no Festival de Cannes, em 2012. O mais relevante foi dirigido por Michael Haneke intitulado Amour. Amour foi vencedor em Cannes e venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Em 2016, ela estrelou dois filmes aclamados pela crítica, o primeiro na longa metragem da francesa Mia Hansen-Løve intitulado O que está por vir, e na nova longa metragem do holandês Paul Verhoeven Elle, que estreou em Cannes. Huppert foi aclamada pela crítica por sua actuação como Michèle LeBlanc, em Elle, tendo sido a vencedora de inúmeros prémios internacionais como Los Angeles Film Critics Association, Boston Society of Film Critics, New York Film Critics Circle Award, Satellite Awards, London Film Critics Circle, National Society of Film Critics Award, Vancouver Film Critics Circle Award entre outros diversos prémios críticos, além de ter sido a vencedora do Globo de Ouro de Melhor Actriz - Drama e ser uma das nomeadas ao Oscar de Melhor Actriz em 2017

Elogios

Huppert é descrita como a 'Dama do Cinema Frances", e a melhor actriz francesa em actividade. O trabalho em Elle de Paul Verhoeven recebeu ampla aclamação da crítica, junto à actuação em O que ainda Está por Vir rendendo o 1° lugar em inúmeros lugares das as melhores actuações do ano de 2016.

A contribuições para o cinema Europeu e mundial são amplamente reconhecidas, sendo a própria, uma das únicas juradas anuais do Festival de Cannes, sucessivamente aparece como uma das actrizes homenageadas pelas contribuições da mesma para o cinema e também pela forma que Huppert trata as personagens, contradizendo e indo totalmente fora dos padrões cinematográficos norte-americanos.

Huppert já apareceu em mais de 110 filmes desde a estreia em 1971. É a actriz mais indicada para o Prémio César, com 16 nomeações. Ganhou duas vezes o Prémio César de Melhor Actriz. Huppert foi nomeada Chevalier do Ordre National du Mérite em 1994 e foi promovida a Officier em 2005. Foi nomeada Chevalier da Legião de Honra em 1999 e foi promovido a Officer em 2009.

A primeira nomeação ao César de Huppert foi para o filme Aloïse de 1975. Em 1978 ganhou o Prémio BAFTA para o actor/actriz mais promissor. Ganhou dois prémios de Melhor Actriz no Festival de Cinema de Cannes, um por Violette Nozière (1978) e La pianiste (2001), bem como duas Copas Volpi para Melhor Actriz no Festival de Cinema de Veneza, por Story of Women (1988) e La Cérémonie

Em 2016, Huppert obteve aclamação internacional pela actuação em Elle, pelo qual ganhou um Globo de Ouro, e uma indicação para o Oscar de Melhor Actriz além de ter ganho inúmeros outros prémios da crítica.










































































































































1971 Le Prussien Elisabeth Jean L'Hôte 

1972 Faustine et le Bel Été Student #2 Nina Companeez 
Figaro-ci, Figaro-là Pauline Hervé Bromberger 
The Bar at the Crossing Annie Alain Levent 
César and Rosalie Marite Claude Sautet
1973 Histoire vraie Adelaïde Claude Santelli 
Le Maître de pension Annie Marcel Moussy 
Le Drakkar Yolande Jacques Pierre 
Vogue la galère Clotilde Raymond Rouleau 
1974 Successive Slidings of Pleasure Bit Alain Robbe-Grillet
Madame Baptiste Blanche Claude Santelli 
Plaies et bosses Patsy Lackan Yves-André Hubert 
L'Ampélopède La conteuse Rachel Weinberg 
1975 Serious as Pleasure Une fille ramenée à la maison Robert Benayoun 
The Common Man Brigitte Colin Yves Boisset
Rosebud Helene Nikolaos Otto Preminger
Aloïse Aloïse as a child Liliane de Kermadec Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
The Big Delirium Marie Dennis Berry 
1976 Docteur Françoise Gailland Élisabeth Gailland Jean-Louis Bertucelli 
The Judge and the Assassin Rose Bertrand Tavernier
I Am Pierre Riviere Aimée Christine Lipinska 
Little Marcel Yvette Jacques Fansten 
1977 The Lacemaker Pomme Claude Goretta Prêmios
BAFTA de Actriz Promissora
Indicações
Prêmio César de Melhor Actriz Principal
Spoiled Children La secrétaire du député Bertrand Tavernier
The Indians Are Still Far Away Jenny Patricia Moraz 
No Trifling with Love Camille Caroline Huppert 
1978 Violette Nozière Violette Nozière Claude Chabrol Prémios
Festival de Cannes de Melhor Actriz Principal
Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
1979 Scénario de 'Sauve qui peut la vie Jean-Luc Godard
Return to the Beloved Jeanne Kern Jean-François Adam 
The Bronte Sisters Anne Brontë André Téchiné
1980 The Heiresses Irène Márta Mészáros 
Loulou Nelly Maurice Pialat Indicações
Prêmio César de Melhor Actriz Principal
Sauve qui peut Isabelle Rivière Jean-Luc Godard
1981 Heaven's Gate Ella Watson Michael Cimino
The Lady of the Camellias Alphonsine Plessis Mauro Bolognini
The Wings of the Dove Marie Benoît Jacquot 
Coup de Torchon Rose Mercaillou Bertrand Tavernier Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
Eaux profondes Melanie Michel Deville
1982 Passion Isabelle Jean-Luc Godard
The Trout Frédérique Joseph Losey
1983 The Story of Piera Piera Marco Ferreri
Entre Nous Lena Weber Diane Kurys 
1984 La Garce Aline Kaminker/Édith Weber Christine Pascal 
1985 Sincerely Charlotte Charlotte Caroline Huppert 
All Mixed Up Rose-Marie Martin Josiane Balasko 
1986 Cactus Colo Paul Cox
1987 Milan noir Sarah Ronald Chammah 
The Bedroom Window Sylvia Wentworth Curtis Hanson
1988 The Possessed Maria Sjatov Andrzej Wajda
Volpi Cup de Melhor Actriz Principal
Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
David di Donatello de Melhor Actriz Principal
1989 Migrations Dafina Isakovic Aleksandar Petrović
1990 A Woman's Revenge Cécile Jacques Doillon 
1991 Malina The Woman Werner Schroeter
1992 Love After Love Lola Diane Kurys 
1994 Amateur Isabelle Hal Hartley
The Flood Sofia Igor Minaiev 
La Séparation Anne Christian Vincent Indicações
Prêmio César de Melhor Actriz Principal
1995 La Cérémonie Jeanne Claude Chabrol Prêmios
Volpi Cup de Melhor Atriz Principal
Prémio César de Melhor Actriz Principal
Lumière de Melhor Actriz Principal
1996 Gulliver's Travels Houyhnhnm Mistress Charles Sturridge 
The Elective Affinities Carlotta Paolo and Vittorio Taviani 
1997 Les Palmes de M. Schutz Marie Curie Claude Pinoteau
The Swindle Elizabeth/Betty Claude Chabrol
1998 The School of Flesh Dominique Benoît Jacquot Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
1999 No Scandal Agnès Jeancourt Benoît Jacquot 
2000 [[Modern Life] Claire Laurence Ferreira Barbosa 
False Servant La comtesse Benoît Jacquot 
The King's Daughters Madame de Maintenon Patricia Mazuy Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
Sentimental Destinies Nathalie Barnery Olivier Assayas
Merci pour le chocolat Marie-Claire 'Mika' Muller Claude Chabrol
Comedy of Innocence Ariane Raúl Ruiz 
2001 Médée Médée Don Kent 
The Piano Teacher Erika Kohut Michael Haneke Prémios
Festival de Cannes de Melhor Actriz Principal
European Film Award de Melhor Actriz Principal
San Diego Film Critics Society de Melhor Actriz Principal
Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
'Online Film Critics Society de Melhor Actriz Principal
Toronto Film Critics Association de Melhor Actriz Principal
2002 8 Women Augustine François Ozon
Two Magdalena/Maria Werner Schroeter
La vie promise Sylvia Olivier Dahan
2003 Time of the Wolf Anne Laurent Michael Haneke
2004 Ma Mère Hélène, the Mother Christophe Honoré
Les Sœurs fâchées Martine Demouthy Alexandra Leclère 
2005 Gabrielle Gabrielle Hervey Patrice Chéreau Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
2006 Comedy of Power Jeanne Charmant-Killman Claude Chabrol
Private Property Pascale Joachim Lafosse 
2007 Hidden Love Danielle Alessandro Capone 
Medea Miracle Irène / Médée Tonino De Bernardi 
2008 Home Marthe Ursula Meier 
The Sea Wall Mother Rithy Panh 
2009 Villa Amalia Ann Benoît Jacquot 
White Material Maria Vial Claire Denis
2010 Copacabana Babou Marc Fitoussi 
Special Treatment Alice Bergerac Jeanne Labrune 
Fantastic Mr. Fox Voice of Mrs. Felicity Fox Wes Anderson
2011 Die Blutgräfin Maid Hermine Ulrike Ottinger 
My Little Princess Hanna Giurgiu Eva Ionesco 
My Worst Nightmare Agathe Anne Fontaine 
2012 Captive Thérèse Bourgoine Brillante Mendoza
Amour Eva Michael Haneke Indicações
Prémio César de Melhor Actriz Principal
London Film Critics' Circle de Melhor Actriz Principal
In Another Country Anne Hong Sang-soo 
Lines of Wellington Cosima Pia Valeria Sarmiento 
Dormant Beauty Divina Madre Marco Bellocchio
2013 The Nun Supérieure Saint Eutrope Guillaume Nicloux 
Tip Top Esther Lafarge Serge Bozon 
Abuse of Weakness Maud Schoenberg Catherine Breillat 
Eleanor Rigby Mary Rigby Ned Benson 
2014 Paris Follies Brigitte Lecanu Marc Fitoussi 
2015 Louder Than Bombs Isabelle Joachim Trier 
Valley of Love Elle Guillaume Nicloux 
Macadam Stories Jeanne Meyer Samuel Benchetrit
2016 Things to Come Nathalie Chazeaux Mia Hansen-Løve 
Elle Michèle Leblanc Paul Verhoeven Prémios
César de melhor actriz principal
Satellite Award de melhor actriz
London Film Critics Circle de melhor actriz
Gotham Awards de melhor actriz
Independent Spirit Awards de melhor actriz
Indicações
National Society of Film Critics de melhor actriz
Online Film Critics Society Award de melhor actriz
Empire Awards, UK de melhor actriz
Sociedade Nacional de Críticos Film Awards de melhor actriz
Saturn Awards de Melhor Actriz Principal
North Texas Film Critics Association de Melhor Actriz Principal
Kansas City Film Critics Circle Award de Melhor Actriz Principal
London Film Critics Circle de Melhor Actriz Principal
Online Film Critics Society de Melhor Actriz Principal<
Phoenix Film Critics Society de Melhor Actriz Principal
Santa Barbara International Film Festival de Melhor Actriz Principal
Oklahoma Film Critics Circle de Melhor Actriz Principal
Austin Film Critics Association de Melhor Actriz Principal
Denver Film Critics Society de Melhor Actriz Principal
Detroit Film Critics Society de Melhor Actriz Principal
Nevada Film Critics Society de Melhor Actriz Principal
St. Louis Gateway Film Critics Association de Melhor Actriz Principal
Utah Film Critics Association de Melhor Actriz Principal
Iowa Film Critics de Melhor Actriz Principal
North Texas Film Critics Association de Melhor Actriz Principal
Florida Film Critics Circle Awards de Melhor Actriz Principal 
Tout de suite maintenant Solveig Pascal Bonitzer 
Ce qui nous éloigne Wei Hu 
Souvenir Liliane Bavo Defurne 
2017 Happy End Michael Haneke Produção
Barrage Elisabeth Laura Schroeder Produção
Marvin Isabelle Anne Fontaine Produção
Untitled Hang Sang-soo Project Hong Sang-soo Produção
Madame Hyde Serge Bozon Produção



































































































































Imagens e textos (tradução automática), colhidos da internet

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