Jennifer Aniston

O primeiro grande drama de Jennifer Aniston no cinema



Cake – Um Sopro de Vida” valeu à actriz a nomeação para um Globo de Ouro.


Tornou-se conhecida com uma das séries televisivas mais aclamadas de sempre. “Friends” teve dez temporadas, e apesar de ter chegado ao fim continua a ser celebrada ainda hoje.Do mesmo modo, o papel a que Jennifer Aniston deu vida no programa, Rachel Green, tem pairado sobre a actriz, que fez carreira essencialmente na comédia romântica. Agora em “Cake”, filme de 2014 que chega esta semana às salas nacionais, Jennifer Aniston é Claire Simmons, uma mulher em constante sofrimento físico e emocional, que frequenta um grupo de apoio à dor crónica, mas acaba por afastar todos os que lhe estão próximos. E Claire não podia estar mais distante de Rachel (ou de outras personagens que tenha representado).

Jennifer Aniston aparece em “Cake – Um Sopro de Vida” sem o glamour e a imagem de beleza que lhe é associada e à personagem de Rachel, e que, de resto, lhe valeu alguns títulos nos rankings que listam os mais belos do mundo, elaborados por revistas como a “People” ou a “FHM”. Apesar disso, as duas personagens têm em comum o facto de terem colocado a actriz na primeira liga dos prémios da representação. Com “Cake – Um Sopro de Vida” voltou a ser nomeada para os Globos de Ouro, cerca de uma década depois de ter conquistado o troféu para Melhor Actriz de Série de Televisão, na categoria musical e comédia. Desta vez ficou-se pela nomeação, mas com ela conquistou a primeira indicação para o prémio por um papel no grande ecrã e no género do drama. É entre dois pólos que traçamos o percurso de Jennifer Aniston.

rachel A personagem interpretada pela actriz na série “Friends” era tão popular que nos anos 90 até o seu corte de cabelo se tornou inspirador e foi copiado por milhares de mulheres. De tal forma que o estilo foi mesmo apelidado “Rachel Haircut”, ou simplesmente “The Rachel”, e ainda hoje é tema de artigos de revistas femininas como a “Elle”, que tenta encontrar a versão equivalente para 2015. O papel interpretado por Aniston na conhecida série foi evoluindo ao longo do programa. Passou de jovem vaidosa e egocêntrica a mulher com uma carreira e mãe. O seu relacionamento intermitente e atribulado com Ross (David Schwimmer) foi um dos temas que prenderam o público à série.

A dupla foi de resto eleita pela publicação “TV Guide” como um dos melhores casais de sempre em televisão. Também a “Entertainment Weekly” incluiu as duas personagens numa lista com os 30 melhores casais indecisos do pequeno ecrã. Em 2010, a mesma publicação já havia considerado Rachel uma das 100 melhores personagens dos últimos 20 anos, enquanto o site AOL a colocava no 23.o lugar da lista de personagens mais memoráveis da televisão.

O papel interpretado por Jennifer Aniston rendeu-lhe também reconhecimentos institucionais. Além do referido Globo de Ouro, conquistou, em 1996, um prémio do Screen Actors Guild (voltaria a ser nomeada várias vezes com “Friends” e com o recente “Cake”) e ganhou um Emmy em 2002.

Blockbusters e outros Se com “Friends” Jennifer Aniston somou distinções, o mesmo não se pode dizer dos trabalhos que se seguiram. Alguns dos seus maiores sucessos de bilheteira não passaram despercebidos aos radares dos Razzies, a antítese dos Óscares, que distingue os piores actores e filmes produzidos ao longo de cada ano. É certo que o mesmo aconteceu com o seu papel em “Cake” e em “Friends”, numa indicação conjunta do elenco. Mas para filmes como “A Troca”, “Ex-Mulher Procura-se” e “Engana-me Que Eu Gosto”, não houve o reverso da medalha para compensar, apenas as nomeações dos Razzies, que nenhum actor gosta de receber. Paralelamente colava-se à actriz cada vez mais um determinado registo entre a comédia e os filmes românticos. A partir de “Marley e Eu”, que co-protagonizou com Owen Wilson e foi recorde de bilheteira no Natal de 2008, os filmes com Jennifer Aniston foram quase sempre sucessos comerciais, arrecadando muitas vezes centenas de milhões de dólares de receita. 
No entanto, 20 anos depois do início de “Friends” a actriz decide sair da zona de conforto e arriscar outro registo

Claire Pode ainda não ser o papel que confirma Jennifer Aniston como um nome a considerar na primeira linha de grandes actrizes, mas marca certamente um corte com o passado. A personagem em que se centra “Cake – Um Sopro de Vida” é uma mulher deprimida, que sofre com uma dor física crónica, evidente nas cicatrizes que revestem o seu corpo e na forma como ela se apresenta, mas também na sua instabilidade emocional. Factores que a levam a afastar a família e os amigos, sobrando apenas a sua empregada, Silvana (Adriana Barraza).Mas o suicídio de Nina (Anna Kendrick), um dos membros do grupo de apoio à dor crónica, desencadeia outra obsessão na personagem vivida por Aniston. Na procura de respostas sobre a morte de uma mulher que mal conhecia, Claire Simmons explora os limites entre a vida e a morte, o abandono, o perigo e a salvação.

Numa entrevista à “Hollywood Reporter” confessou que, enquanto actriz, explorou vertentes que desconhecia e que teve dificuldade em descolar-se do rótulo em relação aos papéis que normalmente representa. “Disseram-me muitas vezes que o meu tipo não era este, e parte de mim pensou que não era mesmo. ‘Serei capaz de fazer isto? Vou ter de o provar a mim mesma.’ Tinha de ter a confiança de saber que seria capaz de o fazer após tantos anos a saber aparecer.” Se este é o início de um novo caminho para Aniston, só o futuro dirá.

Sem comentários:

Enviar um comentário