1960 Simone Signoret




Yves Montand et Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Yves Montand et Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret French actress Simone Signoret (1921-1985) was given the ‘star build-up’ in the postwar years, and in the following decades she developed into one of the grand legends of the French cinema. Signoret won three times a BAFTA Award, an Oscar, an Emmy, a Silver Bear at the Berlin Festival, a Golden Palm at the Cannes Festival, and many, many more awards.


Portrait of Simone Signoret in "Manèges" directed by Yves Allégret, 1950


yves montand + simone signoret, actors, married, french (german, italian, jewish), #talented #couplethat shared a passion for acting and the arts


Simone Signoret


La Ronde (Max Ophuls 1950) - Gérard Philipe - Simone Signoret


Simone Signoret et Marcel Herrand dans Impasse des deux anges de Maurice Tourneur, 1948


Simone Signoret

Père-Lachaise, o jardim-panteão


Conversas com espíritos e ritos de fertilidade esperam o visitante no mais turístico cemitério do mundo. Luís Maio (texto) andou por lá a perguntar pelas últimas moradas dos famosos e pelo meio descobriu esplêndidas zonas verdes, esculturas sensacionais e uma mão-cheia de histórias incríveis

É o maior espaço verde da capital francesa, um dos mais belos também. Ocupa 44 hectares no nordeste de Paris, toda uma colina coberta por 5300 árvores, na maior parte bordos, castanheiros, freixos e tuias, incluindo exemplares tão singulares que até têm direito a placa. Servem de residência a uma fauna variada, que integra cerca de 300 gatos, muitos corvos e mais pássaros, um batalhão de lagartos e toda uma multiplicidade de insectos (grandes colónias de abelhas).

Ao mesmo tempo funciona como um museu a céu aberto, uma montra privilegiada de arquitectura e de escultura europeias dos séculos XIX e XX, integrando nada menos de 33 mil obras inscritas nos inventários de monumentos históricos da cidade. Mas o lugar é sobretudo famoso como "morada mais honrosa de Paris", residência definitiva de um impressionante escol de personalidades, em particular de artistas e escritores que se distinguiram nos últimos dois séculos, em França e não só.

A lista nunca mais acaba e muda consoante as épocas e os juízos dos vivos. Mas há uma espécie de top 100, onde figuram desde escritores como Balzac e Oscar Wilde a artistas como Edith Piaf e Jim Morrison, passando por filósofos tais que Auguste Comte e Jean-François Lyotard. Não admira se o Cemitério de Leste, mais conhecido por Père-Lachaise, é o mais famoso de Paris e o mais visitado do mundo. Nunca chega a ter lotação esgotada, até porque ocupa uma área maior do que o Vaticano, mas há uma série de moradas onde se registam concentrações diárias de visitantes. São para cima de dois milhões ao ano, certamente mais curiosos e turistas do que familiares dos sepultados. Este cemitério é, portanto, uma das principais e certamente das mais originais atracções da capital francesa.

Cemitério VIP

Se as histórias das celebridades mortas são o principal magnete, a do próprio cemitério e de como veio a tornar-se morada final de tanta gente famosa é todo um enredo, tão ou mais fascinante. Em finais do século XIX, os cemitérios existentes dentro de Paris estavam superlotados, tanto que o dos Inocentes chegou mesmo a rebentar. Rolaram cadáveres pelas ruas e o seu cheiro putrefacto chegou às imediações de Les Halles, então o mercado central da cidade, o que naturalmente disseminou o horror entre a população.

No dia seguinte ao sórdido acidente, Napoleão anunciou quatro novos cemitérios, o maior dos quais era justamente o de Leste. Antes, no século XII, a colina estava coberta de vinha, sendo depois comprada pelos jesuítas, que construíram uma casa de repouso, bordejada por um frondoso jardim à francesa. Era o refúgio predilecto do padre François D"Aix de La Chaise, confessor do rei Luís XIV, que em muito contribuiu para a valorização da propriedade, justificando que o cemitério viesse popularmente a ganhar o seu nome. Com a expulsão dos jesuítas, em 1763, o domínio foi vendido a particulares, chegando pouco depois às mãos da família Baron que, arruinada pela Revolução, acabou por cedê-lo à edilidade.

Habituados a enterros em igrejas ou nas imediações, os parisienses começaram por virar costas a este, inaugurado fora de portas em 1804. Para contrariar o fracasso inicial, a edilidade investiu no marketing, trasladando para o novo cemitério Abélard e Heloise, o casal de amantes trágicos da Paris medieval, mas também La Fontaine e Molière, dois dos mais famosos autores franceses de sempre. Foi uma clara encenação, porque na confusão em que se encontravam os cemitérios parisienses na altura é quase impossível que tenham recuperado os restos mortais certos. A campanha de publicidade apurou-se mesmo assim um sucesso, levando muitos famosos a reservaram o seu espaço para a posteridade no Père-Lachaise e legiões de anónimos a seguirem pelo mesmo caminho. µEm 1830 já havia 33 mil campas nomeadas, o que é um pouco menos de metade das concessões actuais. Julga-se que mais de um milhão de pessoas foi aqui sepultado e tantas ou mais cremadas, vindo as suas cinzas a ser guardadas no Columbário, ou mais recentemente (1986) disseminadas no Jardim da Lembrança. O Père-Lachaise é, portanto, uma verdadeira cidade dentro da cidade, que não parou de ganhar novos residentes desde que abriu, há mais de duzentos anos. Todo o espaço circunscrito pelos seus altos muros parece hoje ocupado e uma das perguntas mais frequentes é onde vão meter mais gente. Note-se que deixou de haver concessões perpétuas e para escolher esta última morada é preciso ser artista de mérito reconhecido, ou então ser parisiense e ter os meios necessários (sete mil euros custa a concessão anual nas avenidas principais).

O Père-Lachaise é, portanto, um cemitério VIP, onde não é qualquer um que se pode fazer enterrar. Acaba, porém, por ser vítima da sua própria fama, e nos últimos anos têm-se multiplicado os actos de vandalismo, incluindo o arranque de bustos e a amputação de conjuntos escultóricos. Quem quiser ouvir histórias picantes ou grotescas basta meter conversa com os coveiros, parte dos quais fala português com pronúncia do norte.



Ritos pagãos

A primeira sensação é de desorientação - nisso a cidade dos mortos é igual à dos vivos. A necrópole parisiense é tão vasta e as moradas célebres são tantas que não resulta fácil traçar um rumo, ou uma vez lá dentro saber onde se está. A maior concentração de personalidades históricas verifica-se no núcleo primitivo do cemitério, junto à entrada principal, que é mais compacto e labiríntico. À medida que se sobe dá lugar a um traçado mais rectiforme, com avenidas largas e rotundas, mas aí as distâncias passam a ser maiores e os pontos de interesse mais dispersos. Levar um guia ou pelo menos pedir um mapa (gratuito) à entrada é, portanto, de toda a conveniência. Mas perder-se voluntariamente, ou passar um par de horas a deambular ao acaso entre as campas, é uma excelente opção, talvez mesmo a melhor maneira de experimentar a aura mística deste jardim-panteão.

Seja o programa de visita mais ou menos organizado, o que depressa se percebe é que o Père-Lachaise tem as suas próprias personagens de culto, que não são forçosamente as mais óbvias. Claro que personalidades da classe intemporal de La Fontaine, Rossini ou Chopin têm as suas sepulturas bem cuidadas e continuam a atrair grande número de visitantes, incluindo grupos inteiros de excursionistas. Igual ou maior devoção merecem artistas ainda frescos na memória do público francês, como o cantor Gilbert Bécaud (1927-2001) e a actriz Marie Trintignat (1962-2003), estando as suas campas enfeitadas com oferendas, flores e até recortes de imprensa. Nada se compara, no entanto, à popularidade de que gozam Victor Noir (1848-1870) e Allan Kardec (1804-1869).

Quem, perguntará o leigo, foram esses dois, que quase século e meio depois de se finarem ainda atraem magotes de gente? Haverá outras causas, mas são fenómenos que passam muito pela recriação de antigas crenças e ritos pagãos. Victor Noir foi um jornalista, morto aos 22 anos em circunstâncias pouco claras por Pierre, sobrinho de Napoleão III. Durante algum tempo foi celebrado como mártir pelos republicanos, mas a razão pela qual a sua campa é hoje tão popular não tem nada a ver com isso. A "culpa" é de Jules Dalou, o escultor que imortalizou o jovem republicano numa estátua de corpo inteiro, como se acabasse de ter tombado no chão vítima do disparo e deixado cair o chapéu alto (que até ficou voltado ao contrário). Tudo isso é mesmo assim secundário e o que realmente faz figura é a protuberância que sobressai nas calças de Noir. Tornou-se tão popular entre as mulheres que foi promovido a símbolo de fertilidade. Aquelas que colarem as suas partes íntimas às dele, beijarem os seus lábios e depositarem uma flor na cartola ao lado engravidarão, ou, de acordo com outras versão da lenda, encontrarão marido dentro de um ano. Entretanto, as partes em causa do conjunto escultório em bronze - mais os pés do jornalista, ao que parece empregues para outras brincadeiras sexuais - ficaram tão gastas que em 2004 a administração do cemitério decidiu colocar uma cerca à volta. Mas os protestos foram tantos que não demorou a vir abaixo. Também da ordem do sobrenatural (ou da superstição?) é o culto que inspira Allen Kardec, um francês quase desconhecido em França, mas com livrarias que só vendem obras dele no Brasil. Kardec foi o "codificador" do Espiritismo, ou Doutrina Espírita, e a sua sepultura assemelha-se a um dólmen, forma coerente com a sua convicção de que vivera entre os druidas noutra encarnação. Os discípulos mais entusiastas acreditam que a sepultura tem uma mística especial, favorecendo o contacto com as almas dos que já não são deste mundo.

A glória dos desconhecidos

A clivagem da fama e da monumentalidade é um dos traços mais notáveis e provavelmente também mais surpreendentes do Père-Lachaise. Nomes maiores das artes e do espectáculo do século XX, como Edith Piaf, ou o casal Yves Montand e Simone Signoret, estão enterrados em campas singelas, enquanto outros igualmente famosos, como a bailarina Isadora Duncan e o cineasta Max Ophuls, são recordados por nada mais que uma lápide, entre os milhares que compõem as paredes do Colombário. Artistas de vidas extravagantes, como a actriz Sarah Bernhardt, que passou anos a dormir num caixão, acabaram por ser sepultados em campas rasas. Mesmo a última morada de Jim Morrison, o vocalista dos Doors, é bastante humilde e toda a distracção é proporcionada por meia dúzia de mensagens de fãs gravadas nas capelas vizinhas, quase discretas, comparadas com os graffitis e mais actos de vandalismo que durante anos lhe serviram de homenagem.

Figuras que a história depressa esqueceu destacam-se em contrapartida pela monumentalidade das obras funerárias que as invocam. É o caso por excelência da faraónica sepultura da princesa Deminoff (nascida Strogonoff), mausoléu de três andares, rematado com cabeças de lobos e de martelos esculpidos na pedra, a denotar a origem da fortuna da sua família aristocrata russa, proprietária de minas de ouro e de prata, na Ásia Central. Nesta especialidade da desmesura post mortem, o mais directo concorrente da princesa é o diplomata Félix de Beaujour, que para si só (não se casou, não teve descendentes) mandou construir uma chaminé de 22 metros, que largamente ultrapassa a altura dos muros do cemitério. Em tempos, o seu vasto subsolo serviu de pensão a muitos casais de namorados, agora é sobretudo um marco (de mau gosto) que distingue o Père-Lachaise no skyline de Paris.

Sepulturas de personagens menores ou mesmo de completos desconhecidos foram, por outro lado, talhadas em moldes tão extraordinários que ganharam os favores dos visitantes do cemitério. Pouco se sabendo deles em vida, as esculturas sob as quais repousam são agora motivo de mil efabulações por parte de quem passa. Assim sucede com as sepulturas de Croce-Spinelli e Sivel, dois balonistas que se esqueceram de levar oxigénio para as alturas, acabando por morrer asfixiados na sua ascensão de 1875. Têm, por isso, hoje direito a uma nota de rodapé na história da aeronáutica, mas na altura o estado francês fez questão de enterrá-los como heróis nacionais, sob imponentes estátuas jacentes que os representam de corpo inteiro. Acontece também que estão de peitos nus e de mãos dados, dando assim a impressão de se tratar de um casal gay assumido na sua época, eventualmente célebre por isso mesmo.

Outro equívoco corrente é provocado pela belíssima estátua de Rembrant Bugatti (1884-1916), certamente a mais modernista e uma das melhores peças do século XX no cemitério inteiro. Rembrandt foi ele mesmo escultor de mais talento que sucesso, uma alma torturada que acabou por pôr termo à vida pelas suas próprias mãos. Em resumo, ninguém se lembra dele, mas em compensação o irmão Ettore foi um dos mais célebres construtores de automóveis de sempre. De tal forma que os dois acabam por ser confundidos e, apesar de nenhum deles estar enterrado em Paris, há visitantes do Père-Lachaise que julgam que este é o outro. Há mesmo quem jure na Internet que a estátua de Rembrandt é a de Ettore.

É também irónico que uma das melhores obras de arte funerária, e uma das raras em Art Deco do cemitério dos famosos, invoque um perfeito desconhecido. Falamos de uma estátua jacente em bronze de uma figura masculina que segura entre as mãos um rosto feminino, como se fosse o seu espelho. Vem acompanhado da legenda: "Eles deixaram-se maravilhar pela bela viagem que os conduziu ao fim da vida". Sabe-se que a escultura foi assinada por Wansart em 1946, que o defunto é Fernand Arbelot (1880-1942), presume-se que o rosto-espelho seja da sua amante inseparável. Mas tudo o resto é vago - ele seria actor, pintor, ou arquitecto? Quem seria a sua musa? São histórias que os mortos ocultam e ao mesmo tempo sugerem aos vivos, que fazem o encanto e fantasia deste prodigioso cemitério.




Simone Signoret

Simone Signoret


Simone Signoret and Vivien Leigh between scenes of Ship of Fools


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret


Simone Signoret & Marcello Mastroianni


Yves Montand et Simone Signoret


simone signoret


simone signoret


simone signoret


simone signoret


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